CID F33: O Que é o Transtorno Depressivo Recorrente
CID F33: O Que é o Transtorno Depressivo Recorrente
O código CID F33 corresponde ao Transtorno Depressivo Recorrente: o diagnóstico usado quando a pessoa já teve, ao longo da vida, pelo menos dois episódios depressivos separados por um período de vários meses sem sintomas significativos. É diferente do código F32, usado para um episódio depressivo isolado, mesmo que esse episódio seja grave.
Diferença entre CID F32 e CID F33
Os dois códigos descrevem o mesmo tipo de sintoma (episódio depressivo), mas em momentos diferentes da história clínica:
F32: primeiro episódio depressivo da vida da pessoa, ou não há registro de episódios anteriores.
F33: já houve pelo menos um episódio depressivo antes, com recuperação (ou remissão parcial) entre eles, e agora há um novo episódio.
Essa diferença não é só burocrática. Ter um histórico de recorrência muda a forma como o tratamento é planejado, principalmente em relação a quanto tempo ele deve durar.
Critérios diagnósticos do CID F33
Para fechar o diagnóstico de F33, a CID-10 considera:
Pelo menos dois episódios depressivos, cada um durando no mínimo duas semanas.
Intervalo de vários meses sem sintomas depressivos significativos entre os episódios (isso diferencia o F33 de um episódio único e prolongado).
Cada episódio precisa, isoladamente, cumprir os critérios de um episódio depressivo (humor deprimido, perda de interesse ou prazer e energia reduzida, entre outros sintomas associados).
Assim como o F32, o F33 tem subcategorias de gravidade: leve (F33.0), moderado (F33.1), grave sem sintomas psicóticos (F33.2) e grave com sintomas psicóticos (F33.3). Existe ainda o F33.4, usado quando a pessoa tem histórico de depressão recorrente, mas está em remissão no momento da avaliação.
Por que a depressão recorrente costuma exigir atenção maior
A recorrência não é incomum. As diretrizes da Associação Médica Brasileira (AMB) para tratamento da depressão apontam que cerca de 80% das pessoas que já tiveram um episódio depressivo terão pelo menos um segundo episódio ao longo da vida, com uma média de quatro episódios entre quem tem quadros recorrentes. O risco de recaída no primeiro ano após a remissão de um episódio, sem tratamento de manutenção adequado, pode chegar a mais de um terço dos casos.
Por isso, quando alguém já acumula três ou mais episódios em cinco anos (ou mais de cinco episódios ao longo da vida), esse histórico entra como critério para considerar um tratamento de manutenção mais prolongado, e não apenas o tratamento do episódio atual.
Tratamento de manutenção: o que muda
Nos casos de transtorno depressivo recorrente, o foco do tratamento deixa de ser só "tratar o episódio atual" e passa a incluir também prevenir novos episódios. As diretrizes da AMB indicam que, quando indicado, esse tratamento de manutenção deve ser mantido por pelo menos cinco anos, podendo ser indefinido em casos de recorrência muito frequente, e que reduzir a dose do medicamento pela metade nessa fase de manutenção está associado a mais recaídas. Isso é decisão médica, caso a caso, nunca uma escolha para ajustar por conta própria.
Sinais de que vale reavaliar o tratamento
Vale conversar com um psiquiatra quando: sintomas de um episódio anterior começam a voltar, mesmo que de forma leve; o tratamento atual parece estar perdendo efeito; ou já houve mais de um episódio nos últimos anos sem uma estratégia clara de prevenção de recaída definida com o médico.
Como conseguir avaliação com psiquiatra online
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Perguntas frequentes
O que significa CID F33?
É o código da CID-10 para o Transtorno Depressivo Recorrente, usado quando a pessoa já teve pelo menos dois episódios depressivos ao longo da vida, separados por um período sem sintomas significativos.
Qual a diferença entre CID F32 e CID F33?
O F32 é usado no primeiro episódio depressivo (ou quando não há episódios anteriores registrados). O F33 é usado quando já houve pelo menos um episódio depressivo antes do atual.
Depressão recorrente tem tratamento diferente da depressão comum?
O tratamento do episódio em si é semelhante, mas nos casos recorrentes o médico costuma considerar um tratamento de manutenção mais prolongado, justamente para reduzir o risco de novos episódios.
Quantos episódios são precisos para ser considerado recorrente?
Dois episódios depressivos, cada um cumprindo os critérios de duração e sintomas, já caracterizam o transtorno como recorrente (CID F33).
