Alcoolismo: sintomas, abstinência e como é o tratamento
O que é o alcoolismo
Alcoolismo, ou transtorno por uso de álcool (CID-10 F10), é uma doença crônica e recorrente em que a pessoa continua bebendo mesmo com prejuízos na saúde, no trabalho e nas relações, e tem dificuldade de parar ou reduzir. O diagnóstico é clínico e exige pelo menos 2 de 11 critérios em 12 meses. Tem tratamento, que combina acompanhamento médico, psicoterapia, apoio social e, em alguns casos, medicamentos. Quem bebe muito e para de repente pode ter uma abstinência grave, com convulsões e delirium tremens, por isso a interrupção deve ser feita com acompanhamento médico.
Segundo o Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira (AMB), elaborado com a Associação Brasileira de Psiquiatria, a dependência de álcool é uma doença crônica e recorrente que, se não for tratada, pode ser fatal, e é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde desde 1976. O Manual MSD descreve o transtorno por uso de álcool como um padrão de consumo que costuma incluir fissura, tolerância e abstinência, junto com consequências sociais e emocionais negativas.
A diretriz citou que, no Brasil, o álcool é a primeira droga usada e a porta de entrada de quem desenvolve outras dependências, e estimou, com dados da época, que cerca de 3% da população tem consumo nocivo e 9% é dependente. Veja também o artigo sobre o CID F10, dependência de álcool.
Consumo de risco: quando o beber vira problema
O Manual MSD define beber em risco apenas pela quantidade e frequência: para homens, mais de 14 doses por semana ou 4 doses por ocasião, e para mulheres, mais de 7 doses por semana ou 3 por ocasião. Mas o transtorno não se define só pela quantidade: o que importa é o padrão e as consequências. O manual recomenda que todos os pacientes sejam aconselhados a reduzir o consumo abaixo dos níveis de risco e informa que o transtorno pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo ou situação social.
Sintomas e sinais de alerta
Os critérios do DSM-5-TR descritos no Manual MSD são 11, avaliados em 12 meses, e o diagnóstico exige pelo menos 2 deles, com sofrimento ou prejuízo importante:
Beber mais ou por mais tempo do que o pretendido
Desejo persistente ou tentativas malsucedidas de reduzir ou parar
Muito tempo gasto para obter, beber ou se recuperar do álcool
Fissura (desejo intenso de beber)
Falhas repetidas em obrigações no trabalho, em casa ou na escola
Continuar bebendo apesar de problemas sociais ou nos relacionamentos
Abandonar atividades sociais, profissionais ou de lazer importantes
Beber em situações de perigo físico, como dirigir
Continuar bebendo apesar de doença física ou mental causada ou agravada pelo álcool
Tolerância (precisar de mais álcool para ter o mesmo efeito)
Sintomas de abstinência ao parar, ou beber para aliviá-los
O Manual MSD observa que muitas pessoas ficam sem diagnóstico por muito tempo, e por isso recomenda perguntar sobre o consumo de álcool a todos os pacientes. Se você se reconhece em vários desses pontos, ou se alguém próximo se reconhece, procure um médico. Só o profissional pode fazer o diagnóstico.
Riscos para a saúde
Segundo o Manual MSD, o uso prolongado pode causar:
Fígado: hepatite, esteatose e cirrose
Pâncreas: pancreatite
Sistema nervoso: perda de sensibilidade nas mãos e nos pés, tremor, alterações de memória e, por falta de vitamina B1 (tiamina), a encefalopatia de Wernicke, que pode evoluir para a síndrome de Korsakoff
Saúde mental: piora da depressão e maior risco de suicídio, inclusive durante a abstinência
Coração e vasos: arritmia, insuficiência cardíaca, hipertensão e AVC
Câncer: risco maior de câncer de esôfago, estômago e fígado
Gravidez: risco de síndrome alcoólica fetal no bebê
A AMB cita também a Organização Mundial da Saúde: o uso do álcool é responsável por 2,5 milhões de mortes por ano no mundo, e é fator causal de cerca de 60 doenças. Para entender a relação com o humor, veja depressão: sintomas, causas e quando buscar tratamento e sintomas de ansiedade.
Abstinência alcoólica: o que é e por que exige cuidado
Segundo o Manual MSD:
Abstinência leve a moderada: começa em até cerca de 6 horas depois de parar ou reduzir. Os sintomas incluem tremor, dor de cabeça, fraqueza, suor e náusea. Podem ocorrer convulsões.
Alucinose alcoólica: a pessoa pode ouvir vozes, e isso pode durar dias.
Delirium tremens: é a forma mais grave. Começa cerca de 48 a 72 horas depois de parar e pode incluir confusão, alucinações, febre, taquicardia, pressão alta e tremor. Pode ser fatal se não for tratado.
Por isso, quem bebe muito e com frequência não deve parar de repente por conta própria. A diretriz da AMB afirma que a abstinência leve ou moderada, sem outras doenças graves, pode ser tratada com segurança em ambulatório, e que a internação é indicada na abstinência grave, em caso de doenças clínicas ou psiquiátricas graves, de uso de várias drogas ou de comportamento agressivo. A decisão é do médico.
Procure atendimento de urgência (SAMU 192) se houver convulsão, confusão intensa, alucinações, febre, batimentos muito acelerados ou sonolência extrema e dificuldade para respirar depois de beber muito.
Tratamento do alcoolismo
Segundo o Manual MSD e a diretriz da AMB, o tratamento costuma incluir:
Intervenção breve e motivação: o profissional declara a preocupação, recomenda reduzir ou parar e aumenta a motivação para mudar. Em níveis mais complexos, há sessões presenciais e encaminhamento a especialista.
Tratamento ambulatorial: é suficiente para a maioria. A diretriz da AMB afirma que o tratamento ambulatorial é o mais difundido e atende cerca de 90% das pessoas dependentes, com a vantagem de manter a pessoa no convívio familiar, social e profissional.
Psicoterapia: individual e em grupo, para aumentar a motivação e ensinar a evitar gatilhos. O apoio de família e amigos é importante.
Grupos de apoio: o Manual MSD cita os Alcoólicos Anônimos, o mais comum, e outros grupos. Para familiares, existe o Al-Anon.
Internação: reservada à dependência grave ou a doenças associadas importantes.
Medicamentos: o Manual MSD descreve a naltrexona, o acamprosato e o dissulfiram como opções que podem ajudar na manutenção, sempre combinadas com psicoterapia, e não como tratamento isolado. Cada um tem indicações e contraindicações próprias. Veja o artigo sobre CID F10 e dependência de álcool e fale com seu médico. A decisão e a dose são do médico.
O Manual MSD alerta que a recaída é comum e que o acompanhamento de longo prazo é importante. A recaída não é fracasso, e sim parte do quadro que o tratamento pretende reduzir. A AMB também recomenda investigar a dependência de nicotina em quem tem dependência de álcool, porque as duas se associam com frequência.
Não use remédios para dormir ou para ansiedade, como benzodiazepínicos, junto com o álcool, nem para tentar parar por conta própria. Fale com um médico. Veja também o artigo sobre fluoxetina e álcool.
Como ajudar alguém que bebe demais
Converse com calma e sem julgamento, em um momento em que a pessoa não esteja alcoolizada.
Incentive a busca por um médico, e ofereça-se para acompanhar.
Procure apoio para você também: o Manual MSD cita o grupo Al-Anon para familiares.
Se a pessoa estiver muito alcoolizada, sonolenta, confusa ou com dificuldade para respirar, ligue para o SAMU, 192.
Se você ou alguém próximo tiver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
Como conseguir avaliação com psiquiatra online
A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online para avaliar o uso de álcool, humor e ansiedade e orientar os próximos passos do tratamento, com nota 4,9 no Google. Casos de abstinência grave ou de dependência com risco físico podem exigir atendimento presencial ou hospitalar.
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Perguntas frequentes
Qual o CID do alcoolismo?
O alcoolismo, ou dependência de álcool, está no grupo F10 da CID-10.
Alcoolismo tem cura?
É uma doença crônica e recorrente, mas tem tratamento. O Manual MSD ressalta que a recaída é comum e que o acompanhamento de longo prazo é importante.
Parar de beber de uma vez é perigoso?
Para quem bebe muito e com frequência, sim. A abstinência pode causar convulsões e delirium tremens. A interrupção deve ser feita com acompanhamento médico.
Quais os sintomas do alcoolismo?
Beber mais do que pretendia, não conseguir reduzir, fissura, tolerância, prejuízo no trabalho e nas relações e sintomas de abstinência. O diagnóstico exige pelo menos 2 de 11 critérios em 12 meses.
Existe remédio para alcoolismo?
Sim. Medicamentos como a naltrexona, o acamprosato e o dissulfiram são descritos como opções de manutenção, sempre combinadas com psicoterapia. A indicação é do médico.
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