Ansiedade de separação: sinais em crianças e adultos
O que é ansiedade de separação
Ansiedade de separação é o medo persistente e intenso de se afastar de uma pessoa de apego, como mãe, pai ou outro cuidador, em um nível maior do que o esperado para a idade. Em crianças, aparece como choro, recusa de ir à escola ou de dormir sozinha e queixas físicas na hora de se separar. Para ser considerada um transtorno, os sintomas precisam durar pelo menos 4 semanas e causar sofrimento ou prejuízo importante. No CID-10, o quadro infantil é o F93.0, e o transtorno também pode acometer adultos.
Sentir angústia ao se separar de quem cuida faz parte do desenvolvimento normal. O Manual MSD descreve que essa ansiedade é esperada em bebês, mais ou menos entre 8 e 24 meses de idade. O transtorno surge quando o medo é intenso, desproporcional à fase de vida e persiste ou reaparece mais tarde.
O DATASUS define o F93.0 como um transtorno em que a ansiedade se concentra no temor da separação, surgindo pela primeira vez nos primeiros anos da infância. Distingue-se da angústia de separação normal pela intensidade, pelo exagero ou pela persistência além da primeira infância, com perturbação significativa do funcionamento social. É um dos transtornos emocionais que começam na infância, e o quadro geral de ansiedade na criança é detalhado em nosso artigo sobre o CID para ansiedade infantil.
Sinais em crianças
Segundo o Manual MSD, o medo da separação pode aparecer assim:
Choro, súplicas e "cenas" na hora de se despedir
Preocupação excessiva de que algo ruim aconteça com o cuidador, como acidente ou doença
Recusa de dormir sozinha ou de dormir fora de casa
Recusa de ir à escola ou à pré-escola
Dor de cabeça, dor de barriga ou outras queixas físicas diante da separação
Medo de ficar sozinha em casa ou em outro ambiente sem um adulto de confiança
Pesadelos sobre separação
O comportamento costuma se normalizar quando o cuidador está presente, o que ajuda a diferenciar de outros problemas.
Ansiedade de separação em adultos
O transtorno não é só infantil. Um estudo brasileiro publicado em Estudos de Psicologia (2007), com pacientes adultos com transtorno de pânico, encontrou sintomas de ansiedade de separação nessa população. Os autores citam pesquisas em que parte dos pacientes com pânico relatava ansiedade de separação na infância ou na adolescência. A amostra do estudo era pequena (22 pacientes iniciais), então os resultados indicam uma associação, e não números definitivos.
Em adultos, o quadro pode envolver medo de que o parceiro, um filho ou os pais morram ou se machuquem, dificuldade de ficar sozinho, ligações e mensagens constantes para checar se o outro está bem e sofrimento intenso em viagens ou afastamentos. Ansiedade e pânico podem aparecer juntos, como no CID F41.
Quando é normal e quando é transtorno
Normal no desenvolvimento | Possível transtorno |
|---|---|
Idade: Bebês e crianças pequenas | Persiste ou reaparece depois da primeira infância |
Intensidade: Choro que passa com acolhimento | Medo desproporcional, difícil de acalmar |
Impacto: A rotina segue | Falta à escola, recusa de dormir só, sofrimento marcante |
Duração: Fase passageira | Pelo menos 4 semanas |
Sinais de alerta
Vale avaliação profissional quando:
A criança falta à escola ou recusa atividades por medo da separação
Há queixas físicas frequentes sem causa médica encontrada
A ansiedade dura semanas e piora com o tempo
O medo atrapalha o sono, os estudos ou a vida familiar
Um adulto evita trabalho, viagens ou relações por medo de se afastar de alguém
Tratamento
Segundo o Manual MSD, o tratamento de primeira linha é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), com reforço de separações regulares, despedidas curtas e orientação aos pais, porque o ciclo de ansiedade entre pais e filho precisa ser trabalhado junto. Medicamentos do tipo ISRS ficam reservados para casos graves em que a TCC não for suficiente. Mesmo depois de tratada, a criança pode ter recaídas após feriados e intervalos escolares, por isso é importante planejar separações regulares nessas épocas.
Em adultos, o estudo brasileiro citado indica melhora ou desaparecimento dos sintomas de ansiedade de separação após terapia cognitivo-comportamental, junto com redução da ansiedade e da depressão, em um grupo pequeno de pacientes.
Na prática, isso significa que os pais aprendem a manter despedidas curtas e a não evitar todas as separações, sempre com orientação profissional.
Agendar consulta com psiquiatra online
Perguntas frequentes
Ansiedade de separação tem CID?
Sim. No CID-10, o transtorno ligado à angústia de separação na infância é o F93.0, dentro dos transtornos emocionais com início específico na infância (F93).
Ansiedade de separação é normal em criança?
Em bebês e crianças pequenas, sim, é parte do desenvolvimento. Vira motivo de atenção quando é intensa, dura pelo menos 4 semanas, ou persiste ou reaparece depois dessa fase, com prejuízo na rotina.
Adulto pode ter ansiedade de separação?
Pode. Um estudo brasileiro descreve sintomas de ansiedade de separação em adultos com transtorno de pânico, e o quadro tem tratamento.
Criança que não quer ir à escola tem ansiedade de separação?
Pode ser uma das causas, mas não a única. A recusa escolar também ocorre em outros quadros, como ansiedade social ou problemas no ambiente escolar. Só uma avaliação define a causa.
A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar os sintomas e indicar o próximo passo.
Falar com um psiquiatra da TelemedSim
Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
