Ansiedade na gravidez: sintomas, riscos e tratamento
Ansiedade na gravidez: sintomas, riscos e tratamento
Ansiedade na gravidez é a preocupação intensa, o medo e a tensão que persistem durante a gestação e vão além do nervosismo esperado com a chegada de um bebê. É comum: em um estudo brasileiro com 209 gestantes atendidas no SUS, 26,8% apresentaram níveis de ansiedade acima do ponto de corte da escala usada. Tem tratamento seguro, que combina acompanhamento no pré-natal, psicoterapia e, quando necessário, medicação decidida em conjunto entre obstetra e psiquiatra. Procure ajuda, e não tome ou suspenda remédios por conta própria.
Ansiedade normal ou transtorno
Sentir preocupação com a saúde do bebê, o parto e a vida depois do nascimento é esperado. Passa a ser um problema quando a ansiedade é intensa, persistente e atrapalha o dia a dia, o sono e o pré-natal. Para entender os sinais da ansiedade em geral, veja o guia de sintomas de ansiedade. Na gestação, sintomas comuns incluem:
Preocupação constante e difícil de controlar, com medo de algo ruim com o bebê
Dificuldade de dormir, além do desconforto normal da gravidez
Inquietação, tensão muscular e irritabilidade
Coração acelerado, falta de ar ou crises de pânico
Pensamentos repetitivos e checagens constantes (movimentos do bebê, exames)
Medo intenso do parto
Evitar consultas ou exames por medo
Quão comum é
Os números variam conforme a forma de medir. No estudo de Silva e colaboradores (Revista da Escola de Enfermagem da USP, 2017), com 209 gestantes no sul de Minas Gerais, 26,8% ficaram acima do ponto de corte de uma escala de ansiedade, e a frequência foi maior no terceiro trimestre (42,9%). Já em outro estudo brasileiro, com 394 gestantes em Maringá (Acta Paulista de Enfermagem, 2015), em que o diagnóstico de transtorno mental foi registrado no prontuário, 12,94% tinham algum transtorno mental, a maior parte depressão, e a ansiedade isolada apareceu em cerca de 0,5%. A diferença está no método: uma escala de rastreio mede sintomas, enquanto o prontuário só registra o que já foi diagnosticado.
Fatores associados
Segundo os estudos citados, estão ligados a mais ansiedade ou a transtornos mentais na gestação: complicações em gestações anteriores, histórico de aborto ou ameaça de parto prematuro, gravidez não desejada, tabagismo, uso de drogas, doenças crônicas, internação durante a gestação e não ter parceiro. São associações observadas em estudos transversais, que não provam causa e efeito, e variam entre as amostras.
Por que cuidar
Segundo os autores do estudo de 2017, com base na literatura que citam, a ansiedade na gestação está associada a prematuridade, baixo peso ao nascer, complicações obstétricas e é um importante fator de risco para depressão pós-parto. Isso não significa que a gestante ansiosa terá esses problemas, e sim que vale identificar e tratar, e que o pré-natal é o melhor momento para isso. Por isso, a depressão após o parto também merece atenção depois do nascimento.
Tratamento
As principais abordagens, segundo a literatura brasileira que li, são:
Triagem no pré-natal: os estudos recomendam que a rede de saúde rastreie sintomas de ansiedade e de depressão nas consultas, com apoio de uma equipe multiprofissional.
Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem mais citada para ansiedade, com técnicas de respiração e relaxamento. Em casos leves, costuma ser a primeira escolha.
Medicamentos: podem ser necessários em casos moderados ou graves. A decisão é individual, entre a gestante, o obstetra e o psiquiatra, buscando a menor dose eficaz pelo menor tempo e, em geral, um único medicamento. As revisões brasileiras alertam que parar o tratamento de forma abrupta e a automedicação são desaconselhadas, e que não tratar a ansiedade também envolve riscos.
Hábitos de saúde: atenção ao sono, à atividade física liberada pela equipe de pré-natal e, quando for o caso, apoio para parar de fumar.
A escolha de qualquer remédio na gestação é médica e depende do caso, da fase da gravidez e de outras condições. Não use nenhum medicamento por conta própria.
Quando buscar ajuda
Procure avaliação quando a ansiedade durar semanas, atrapalhar o sono, a rotina ou o pré-natal, ou vier junto de tristeza, crises de pânico ou pensamentos que assustam. Qualquer sintoma físico preocupante na gravidez deve ser avaliado pela equipe de pré-natal. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188, e em risco imediato ligue para o SAMU, 192.
A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online, com acolhimento, para avaliar a ansiedade na gestação e orientar o cuidado em conjunto com seu obstetra.
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Perguntas frequentes
É normal sentir ansiedade na gravidez?
Alguma preocupação é esperada. Quando a ansiedade é intensa, constante e atrapalha a vida, vale procurar ajuda, porque tem tratamento.
Ansiedade na gravidez faz mal ao bebê?
Estudos associam ansiedade na gestação a prematuridade e baixo peso ao nascer, mas isso indica risco, e não certeza. O cuidado de saúde mental no pré-natal ajuda a reduzir esse risco.
Posso tomar remédio para ansiedade grávida?
Só com orientação do médico. Algumas opções podem ser usadas com segurança, e outras devem ser evitadas, e a decisão depende de cada caso. Não suspenda nem inicie medicamentos por conta própria.
Ansiedade na gravidez pode virar depressão pós-parto?
A ansiedade na gestação é considerada um importante fator de risco para a depressão pós-parto, segundo a literatura citada. Por isso é importante tratar e manter acompanhamento depois do parto.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
