Automutilação em adolescentes: sinais e como ajudar
O que é autolesão
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a autolesão é um comportamento em que a pessoa machuca o próprio corpo após tristeza, raiva, nervosismo ou trauma intensos. O manual da SBP sobre o tema, de 2019, trata do tema como autolesão não suicida, termo usado no DSM-5, e a SBP explica que ela está ligada a sofrimento psicológico e a quadros como depressão e ansiedade, e a maior risco de uso de álcool, drogas e tabaco.
Este artigo não descreve formas de se machucar. O foco é entender, reconhecer e ajudar.
Por que adolescentes se machucam
Segundo a SBP, os motivos mais comuns, relatados por quem se autolesiona, são:
Aliviar sentimentos muito intensos, como angústia, raiva e frustração
Sentir que tem controle sobre a dor, já que a dor física é mais fácil de lidar do que a emocional
Sentir que está vivo ou "real", quando se sente desconectado do corpo
Punir-se por algo que causa culpa
Entre os fatores citados estão bullying, conflitos familiares, sentir-se sozinho ou sem valor, baixa autoestima e dificuldade de expressar emoções. A SBP também aponta que o comportamento pode se espalhar por imitação entre colegas e pela internet. O documento científico da SBP agrupa os fatores de risco em individuais, familiares e sociais, que costumam atuar em conjunto.
Quão comum é
A SBP informa, em sua página para famílias, que cerca de um em cada 12 jovens se machuca dessa forma, com maior frequência entre mulheres de 15 a 24 anos. O documento científico de 2019 cita que a prevalência aumenta por volta dos 13 a 14 anos, com resultados de estudos que variam entre 4% e 46,5%, e que, no Brasil, não há dados específicos sobre quantos jovens se autolesionam. As diferenças entre estudos mostram que os números são imprecisos.
Autolesão e suicídio
A SBP esclarece que nem todo adolescente que se autolesiona está tentando morrer. A autolesão não suicida não tem, em princípio, a intenção de acabar com a vida. Mas ela está estreitamente relacionada a sofrimento psicológico e a depressão, que podem elevar o risco de suicídio, e o documento da SBP ressalta que o comportamento é sempre sinal de risco e não deve ser negligenciado. Por isso, o risco de suicídio precisa ser avaliado por um profissional. Para entender melhor o tema, veja o artigo sobre o CID para ideação suicida.
Sinais de alerta para famílias e escolas
Segundo a SBP, entre os sinais estão:
Pequenos ferimentos ou marcas na pele que aumentam de frequência
Uso de blusas de manga comprida ou casacos mesmo em dias quentes
Uso frequente de pulseiras e cordões para esconder marcas
Explicações vagas ou inconsistentes sobre ferimentos
Mudanças bruscas de comportamento, perda de interesse por escola e amigos
Mais agressividade, tristeza, ansiedade ou isolamento
Envolvimento em situações de risco
Como reagir
A SBP orienta, para pais e responsáveis:
O que fazer
Manter a calma e evitar reações exageradas
Ouvir com atenção e sem julgamento
Acreditar no que observa, em vez de minimizar
Deixar a pessoa falar sobre o que sente
Criar um momento diário da família para compartilhar sentimentos e preocupações
Construir, junto com o adolescente, um plano para momentos de crise
Tornar-se uma pessoa de referência em quem ele possa confiar
O que evitar
Reagir com raiva ou alarme excessivos, o que pode fazer o jovem se sentir mais sozinho
Desvalidar o que o jovem diz sentir
Proibir a amizade com um colega que também se machuca. A SBP recomenda explicar a situação com calma e sem julgamento moral
Para escolas, a SBP orienta avisar os pais ao perceber o comportamento, sem tratá-lo como "modinha", buscar ajuda de profissionais de saúde e conversar sobre o tema com os professores.
Quando buscar ajuda profissional
A SBP orienta procurar ajuda especializada assim que os sinais forem percebidos, com acompanhamento psiquiátrico associado à psicoterapia. Procure ajuda com urgência quando houver pensamentos de morte, planos de se machucar, ferimentos que precisem de cuidado médico ou piora da tristeza e do isolamento. Nesses casos, ligue para o CVV (188) ou para o SAMU (192), ou vá a um pronto-socorro.
Tratamento
O documento científico da SBP orienta o pediatra a observar sinais de alerta, ouvir e tentar entender sem culpa nem punição, avaliar quando e como oferecer ajuda e se é preciso encaminhar para acompanhamento psicológico, e ajudar o jovem a colocar a experiência em palavras e a encontrar outras formas de expressar a dor. O tratamento costuma envolver psicoterapia e, quando há depressão, ansiedade ou outro quadro associado, avaliação psiquiátrica. A decisão sobre medicamentos é do médico. Como a autolesão se liga a outros quadros, tratar a depressão e a ansiedade também faz parte do cuidado. Para entender a ansiedade, veja o guia sobre sintomas de ansiedade.
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Perguntas frequentes
Automutilação é tentativa de suicídio?
Em geral, não. A autolesão não suicida busca aliviar uma dor emocional, e não acabar com a vida. Mas é sinal de sofrimento e de risco, e a avaliação do risco de suicídio por um profissional é importante.
Autolesão é "modinha" ou chamar atenção?
Não deve ser tratada assim. A SBP orienta que as escolas não tratem o comportamento como "modinha". É um sinal de sofrimento e merece acolhimento e cuidado.
O que fazer ao descobrir que meu filho se machuca?
Manter a calma, ouvir sem julgar, não reagir com raiva e procurar ajuda profissional logo, de preferência psiquiatra e psicólogo. Evite punições e proibições, que podem aumentar o sofrimento.
Autolesão tem tratamento?
Sim. O cuidado envolve psicoterapia e, quando há depressão, ansiedade ou outros quadros, acompanhamento psiquiátrico. Quanto antes começar, melhor.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
