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Automutilação em adolescentes: sinais e como ajudar

Equipe TelemedSim•14 de outubro de 2026
Automutilação em adolescentes: sinais e como ajudar

O que é autolesão

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a autolesão é um comportamento em que a pessoa machuca o próprio corpo após tristeza, raiva, nervosismo ou trauma intensos. O manual da SBP sobre o tema, de 2019, trata do tema como autolesão não suicida, termo usado no DSM-5, e a SBP explica que ela está ligada a sofrimento psicológico e a quadros como depressão e ansiedade, e a maior risco de uso de álcool, drogas e tabaco.

Este artigo não descreve formas de se machucar. O foco é entender, reconhecer e ajudar.

Por que adolescentes se machucam

Segundo a SBP, os motivos mais comuns, relatados por quem se autolesiona, são:

  • Aliviar sentimentos muito intensos, como angústia, raiva e frustração

  • Sentir que tem controle sobre a dor, já que a dor física é mais fácil de lidar do que a emocional

  • Sentir que está vivo ou "real", quando se sente desconectado do corpo

  • Punir-se por algo que causa culpa

Entre os fatores citados estão bullying, conflitos familiares, sentir-se sozinho ou sem valor, baixa autoestima e dificuldade de expressar emoções. A SBP também aponta que o comportamento pode se espalhar por imitação entre colegas e pela internet. O documento científico da SBP agrupa os fatores de risco em individuais, familiares e sociais, que costumam atuar em conjunto.

Quão comum é

A SBP informa, em sua página para famílias, que cerca de um em cada 12 jovens se machuca dessa forma, com maior frequência entre mulheres de 15 a 24 anos. O documento científico de 2019 cita que a prevalência aumenta por volta dos 13 a 14 anos, com resultados de estudos que variam entre 4% e 46,5%, e que, no Brasil, não há dados específicos sobre quantos jovens se autolesionam. As diferenças entre estudos mostram que os números são imprecisos.

Autolesão e suicídio

A SBP esclarece que nem todo adolescente que se autolesiona está tentando morrer. A autolesão não suicida não tem, em princípio, a intenção de acabar com a vida. Mas ela está estreitamente relacionada a sofrimento psicológico e a depressão, que podem elevar o risco de suicídio, e o documento da SBP ressalta que o comportamento é sempre sinal de risco e não deve ser negligenciado. Por isso, o risco de suicídio precisa ser avaliado por um profissional. Para entender melhor o tema, veja o artigo sobre o CID para ideação suicida.

Sinais de alerta para famílias e escolas

Segundo a SBP, entre os sinais estão:

  • Pequenos ferimentos ou marcas na pele que aumentam de frequência

  • Uso de blusas de manga comprida ou casacos mesmo em dias quentes

  • Uso frequente de pulseiras e cordões para esconder marcas

  • Explicações vagas ou inconsistentes sobre ferimentos

  • Mudanças bruscas de comportamento, perda de interesse por escola e amigos

  • Mais agressividade, tristeza, ansiedade ou isolamento

  • Envolvimento em situações de risco

Como reagir

A SBP orienta, para pais e responsáveis:

O que fazer

  • Manter a calma e evitar reações exageradas

  • Ouvir com atenção e sem julgamento

  • Acreditar no que observa, em vez de minimizar

  • Deixar a pessoa falar sobre o que sente

  • Criar um momento diário da família para compartilhar sentimentos e preocupações

  • Construir, junto com o adolescente, um plano para momentos de crise

  • Tornar-se uma pessoa de referência em quem ele possa confiar

O que evitar

  • Reagir com raiva ou alarme excessivos, o que pode fazer o jovem se sentir mais sozinho

  • Desvalidar o que o jovem diz sentir

  • Proibir a amizade com um colega que também se machuca. A SBP recomenda explicar a situação com calma e sem julgamento moral

Para escolas, a SBP orienta avisar os pais ao perceber o comportamento, sem tratá-lo como "modinha", buscar ajuda de profissionais de saúde e conversar sobre o tema com os professores.

Quando buscar ajuda profissional

A SBP orienta procurar ajuda especializada assim que os sinais forem percebidos, com acompanhamento psiquiátrico associado à psicoterapia. Procure ajuda com urgência quando houver pensamentos de morte, planos de se machucar, ferimentos que precisem de cuidado médico ou piora da tristeza e do isolamento. Nesses casos, ligue para o CVV (188) ou para o SAMU (192), ou vá a um pronto-socorro.

Tratamento

O documento científico da SBP orienta o pediatra a observar sinais de alerta, ouvir e tentar entender sem culpa nem punição, avaliar quando e como oferecer ajuda e se é preciso encaminhar para acompanhamento psicológico, e ajudar o jovem a colocar a experiência em palavras e a encontrar outras formas de expressar a dor. O tratamento costuma envolver psicoterapia e, quando há depressão, ansiedade ou outro quadro associado, avaliação psiquiátrica. A decisão sobre medicamentos é do médico. Como a autolesão se liga a outros quadros, tratar a depressão e a ansiedade também faz parte do cuidado. Para entender a ansiedade, veja o guia sobre sintomas de ansiedade.

A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online, com acolhimento, para avaliar depressão, ansiedade e comportamento autolesivo e orientar o tratamento.

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Perguntas frequentes

Automutilação é tentativa de suicídio?

Em geral, não. A autolesão não suicida busca aliviar uma dor emocional, e não acabar com a vida. Mas é sinal de sofrimento e de risco, e a avaliação do risco de suicídio por um profissional é importante.

Autolesão é "modinha" ou chamar atenção?

Não deve ser tratada assim. A SBP orienta que as escolas não tratem o comportamento como "modinha". É um sinal de sofrimento e merece acolhimento e cuidado.

O que fazer ao descobrir que meu filho se machuca?

Manter a calma, ouvir sem julgar, não reagir com raiva e procurar ajuda profissional logo, de preferência psiquiatra e psicólogo. Evite punições e proibições, que podem aumentar o sofrimento.

Autolesão tem tratamento?

Sim. O cuidado envolve psicoterapia e, quando há depressão, ansiedade ou outros quadros, acompanhamento psiquiátrico. Quanto antes começar, melhor.

A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar os sintomas e indicar o próximo passo.

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Fontes

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.

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