Comece hoje a cuidar da sua mente com a oferta exclusiva de outubroCupomOUTUBRO20Agendar Consulta
cleptomaniatranstornos do controle dos impulsostratamento

Cleptomania: sinais, diferença de furto e tratamento

Equipe TelemedSim•08 de outubro de 2026
Cleptomania: sinais, diferença de furto e tratamento

O que é cleptomania

A cleptomania é um transtorno do controle dos impulsos em que a pessoa não consegue resistir ao impulso de furtar objetos de que não precisa e que, muitas vezes, nem têm grande valor. O ato vem acompanhado de tensão crescente antes e de alívio ou prazer durante, e de culpa e vergonha depois. No CID-10, é o F63.2 (roubo patológico). Não é "falta de caráter" nem furto por necessidade ou por dinheiro, e tem tratamento com psicoterapia e, em alguns casos, medicação.

O DATASUS descreve o roubo patológico (F63.2) como a impossibilidade repetida de resistir aos impulsos de roubar objetos que não são tomados pela utilidade imediata nem pelo valor monetário. A pessoa pode querer descartá-los, doá-los ou acumulá-los, e o comportamento costuma vir acompanhado de tensão crescente antes do ato e de satisfação durante e logo depois.

Segundo uma revisão publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria (Grant e Odlaug, 2008), a cleptomania é um transtorno incapacitante do grupo dos transtornos do controle dos impulsos, caracterizado pelo furto repetitivo e incontrolável de itens de pouca utilidade para a pessoa. Os autores indicam que ela é pouco compreendida pelo público e pelos próprios profissionais.

Cleptomania ou furto comum

Cleptomania

Furto comum

Impulso irresistível, com tensão e alívio

Necessidade, ganho financeiro, raiva ou vingança

Muitas vezes não usa: guarda, descarta, devolve ou doa

Usa ou vende o item

Culpa, remorso e vergonha

Varia

A revisão cita os critérios do DSM-IV-TR: incapacidade recorrente de resistir ao impulso de furtar objetos desnecessários ao uso pessoal ou pelo valor monetário, tensão crescente antes do furto, prazer ou alívio no momento, furto que não expressa raiva ou vingança nem resposta a delírio ou alucinação, e que não é explicado por transtorno de conduta ou de personalidade antissocial. Também é preciso excluir quando o furto é movido principalmente por dinheiro ou por necessidade, como roubar comida por fome.

Sinais de alerta

  • Impulso forte e repetido de furtar, difícil de controlar

  • Tensão crescente antes do ato e alívio logo depois

  • Pegar objetos que a pessoa poderia comprar ou de que não precisa

  • Guardar, esconder, doar ou devolver o que foi pego

  • Culpa, vergonha e medo de ser descoberta depois

  • Pensamentos intrusivos sobre furtar que atrapalham trabalho e casa

  • Faltar ao trabalho para sair e furtar

  • Sofrer com isso em segredo e não contar a ninguém

Quem tem e como começa

A revisão relata que a cleptomania costuma começar no fim da adolescência ou no início da vida adulta e parece ser mais comum em mulheres: cerca de dois terços dos pacientes em amostras clínicas. Os autores ponderam que a proporção real é desconhecida, já que não há dados epidemiológicos nacionais. Estudos em pacientes psiquiátricos internados encontraram taxas entre 3,7% e 9,3%, o que mostra que o problema não é raro nesse grupo, mas esses números não representam a população geral.

Vergonha, sofrimento e outros transtornos

A vergonha leva muitas pessoas a procurar tratamento só depois de muitos anos. Em um estudo citado na revisão, com 22 pessoas com cleptomania, 15 não tinham contado a seu médico sobre os furtos e buscavam ajuda para depressão ou ansiedade, por medo de que o médico não as tratasse ou chamasse a polícia.

Outros transtornos costumam aparecer junto. A revisão cita, ao longo da vida, taxas de 20% a 46% para outros transtornos do controle dos impulsos, 23% a 50% para uso de substâncias e 45% a 100% para transtornos de humor, além de associação com ansiedade, transtornos alimentares e de personalidade. Muitos pacientes têm qualidade de vida ruim, e alguns chegam a considerar o suicídio como forma de parar de furtar. Se você tem pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas, gratuitamente, pelo telefone 188.

Consequências legais

Furtar tem consequências reais. A revisão cita que 64% a 87% das pessoas com cleptomania já foram apanhadas furtando, e que 15% a 23% sofreram condenação com privação de liberdade. O diagnóstico é uma questão de saúde, e as questões legais exigem orientação jurídica específica, que não substitui nem é substituída pelo tratamento.

Tratamento

A revisão aponta que os dados de tratamento ainda são escassos, e a maior parte vem de relatos de caso e estudos pequenos. Nos Estados Unidos, na época da revisão, não havia medicamento aprovado para a cleptomania.

  • Psicoterapia: técnicas cognitivo-comportamentais, como dessensibilização sistemática, terapia aversiva e sensibilização encoberta, mostraram benefício em relatos, embora não existam estudos controlados.

  • Medicamentos: os estudos citam antidepressivos da classe dos ISRS, estabilizadores de humor e antagonistas opioides, como a naltrexona. Em um estudo aberto, 8 de 10 pessoas tratadas com naltrexona relataram redução significativa dos impulsos, mas os autores ressaltam que as pesquisas são pequenas e que nem todos os relatos são positivos. Em um estudo com escitalopram, a melhora não se manteve melhor do que com placebo.

  • Tratamento combinado: TCC com medicação apresentou benefício em relatos de caso.

O tratamento é individual e deve incluir a avaliação de depressão, ansiedade, uso de substâncias e outros fatores associados. A decisão sobre qualquer medicamento é do médico, e nenhum deve ser usado por conta própria. Para entender mais sobre o papel da ansiedade, veja o artigo sobre sintomas de ansiedade.

Quando buscar ajuda

Procure avaliação quando o impulso de furtar for repetido e difícil de controlar, causar culpa e vergonha, trouxer problemas no trabalho, na família ou com a lei, ou vier junto de depressão, ansiedade ou uso de álcool e drogas. Falar abertamente com o profissional ajuda no tratamento.

A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online, em ambiente reservado, para avaliar impulsos, humor e ansiedade e orientar o tratamento.

Agendar consulta com psiquiatra online

Perguntas frequentes

Cleptomania é doença ou falta de caráter?

É um transtorno do controle dos impulsos, reconhecido nas classificações médicas. A pessoa sofre com o impulso e costuma sentir culpa e vergonha depois.

Qual é o CID da cleptomania?

No CID-10, é o F63.2, roubo patológico (cleptomania), dentro dos transtornos dos hábitos e dos impulsos.

Cleptomania tem cura?

Há tratamento que ajuda a reduzir os impulsos e o comportamento, mas os estudos ainda são pequenos e a evolução varia. O acompanhamento com profissional é importante, já que a revisão descreve o quadro como crônico em muitas pessoas.

Cleptomaníaco furta por necessidade?

Não. Quem furta por necessidade ou para vender o item não se enquadra no diagnóstico. Na cleptomania, o objeto muitas vezes não é usado, e o foco é o impulso e o alívio que vem com ele.

A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar seus sintomas e indicar o próximo passo.

Falar com um psiquiatra da TelemedSim

Fontes

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.

WhatsApp