Estilos de apego: seguro, ansioso, evitativo e saúde mental
Estilos de apego: seguro, ansioso, evitativo e saúde mental
Estilos de apego são padrões de como uma pessoa busca proximidade, conforto e segurança nas relações. Segundo a teoria do apego, proposta por John Bowlby e ampliada por Mary Ainsworth, eles começam a se formar na relação com os primeiros cuidadores e tendem a influenciar os vínculos na vida adulta, inclusive nas relações amorosas. Os estilos descritos são o seguro e os inseguros (ansioso, evitativo e desorganizado). Não são diagnósticos, não definem a pessoa para sempre, e se relacionam com ansiedade e regulação emocional.
O que é apego
Segundo uma revisão da teoria do apego publicada nos Arquivos Brasileiros de Psicologia (Dalbem e Dell'Aglio, 2005), o apego é um vínculo emocional intenso, formado entre a criança e as figuras de cuidado, com a função de garantir segurança. A criança constrói, a partir de como foi cuidada, um modelo interno de si e dos outros, que a revisão chama de modelo interno de funcionamento. Esse modelo tende a ser estável e a se generalizar para relações futuras, segundo a teoria.
Os estilos de apego
A revisão descreve os padrões identificados por Ainsworth em crianças, a partir de um procedimento de observação da criança com o cuidador e em separação, e um quarto padrão, identificado depois:
Padrão | Como a criança se comporta | Em adultos (resumo de revisões) |
|---|---|---|
Seguro | Explora o ambiente com confiança e busca conforto no cuidador quando estressada | Autônomo, com relações mais estáveis |
Evitativo | Interage pouco, mantém distância e não busca conforto | Tende a valorizar a autonomia e a evitar vínculos profundos |
Ansioso (ou ambivalente) | Intensa necessidade de proximidade e medo de abandono | Insegurança e medo de perder o outro |
Desorganizado | Comportamento contraditório diante do cuidador | Associado a experiências adversas, como abuso |
A revisão de 2005 relaciona o padrão desorganizado a experiências negativas para o desenvolvimento, como situações de abuso. Em adultos, a literatura costuma usar as categorias seguro, evitativo (ou desapegado) e preocupado (ou ansioso). Esses rótulos vêm da pesquisa, e não de um diagnóstico clínico.
Apego e saúde mental
Uma revisão crítica sobre apego e ansiedade na vida adulta (Araújo e colaboradores) conclui que os padrões inseguros, ansioso e evitativo, estão associados a mais dificuldade de regulação emocional, a hipersensibilidade nas relações e a maior vulnerabilidade a transtornos de ansiedade. O estilo ansioso é descrito como uma necessidade intensa de proximidade e medo do abandono, e o evitativo como ênfase na autonomia e tendência a evitar vínculos emocionais profundos. O apego seguro é descrito como fator de proteção, com maior estabilidade emocional e menor suscetibilidade à ansiedade.
São achados de revisões teóricas e descritivas, que mostram associação, e não que o apego cause ansiedade em cada pessoa. A mesma revisão é uma revisão de estudantes, com limitações. Para entender melhor a ansiedade, veja o guia de sintomas de ansiedade.
O apego é fixo?
Segundo Dalbem e Dell'Aglio, os padrões de apego da infância tendem a ser duradouros ao longo da vida, e estudos longitudinais citados mostram estabilidade do apego na adolescência e na vida adulta. Mas a mesma revisão ressalta que existem controvérsias sobre o quanto os padrões da infância se generalizam para relações futuras, e que todas as pessoas estão sujeitas a experiências favoráveis ou desfavoráveis que podem alterar o desenvolvimento e os estados mentais ligados ao apego. Fatores como a relação dos pais, o contexto social, doenças mentais nos cuidadores, divórcio e separações em períodos críticos influenciam o padrão. Os autores também notam que os padrões ficam menos evidentes em adolescentes e adultos do que em crianças.
Ou seja, a teoria descreve tendências, e não destinos. O estilo de apego não é um diagnóstico, nem um rótulo para usar contra si mesmo ou contra o parceiro.
Apego, relacionamentos e outros transtornos
Quem se vê muito dependente do parceiro, com medo de abandono, ou muito distante e com dificuldade de se aproximar pode buscar ajuda, mas nem sempre isso é um transtorno. Em alguns casos, esses padrões se aproximam de quadros como os transtornos de personalidade, CID F60, que dependem de avaliação profissional. Se os relacionamentos envolvem agressão, controle ou ameaça, a Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas pelo telefone 180, e em risco imediato ligue 190.
O que pode ajudar
Segundo a revisão sobre apego e ansiedade, identificar o estilo de apego do paciente pode ajudar psicólogos e psicoterapeutas a entender os mecanismos do quadro e a orientar intervenções voltadas à reconstrução de vínculos afetivos seguros. Os autores destacam o potencial da teoria como base para intervenções clínicas, mas ressalvam que são estudos teóricos. Na prática, o cuidado costuma envolver psicoterapia e, quando há ansiedade ou depressão, tratamento próprio. A decisão sobre medicamentos é do médico, e nenhum deve ser usado sem prescrição.
Quando buscar ajuda
Procure um profissional quando o medo de abandono, a dificuldade de confiar ou a distância emocional causam sofrimento repetido nas relações, vêm junto de ansiedade, tristeza ou crises, ou levam você a tolerar maus-tratos. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
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Perguntas frequentes
Quais são os estilos de apego?
A teoria descreve o apego seguro e os inseguros: ansioso (ou ambivalente), evitativo e desorganizado. Em adultos, a literatura costuma usar seguro, evitativo e ansioso.
Estilo de apego é diagnóstico?
Não. É um conceito de pesquisa e de psicologia que ajuda a entender padrões de relação. Só um profissional pode avaliar se há um transtorno.
O apego da infância define minhas relações para sempre?
Não necessariamente. Os padrões tendem a ser duradouros, mas a revisão citada destaca que as experiências ao longo da vida podem alterar o desenvolvimento do apego, e há controvérsias sobre o quanto eles se repetem.
Apego ansioso causa ansiedade?
Revisões associam os estilos inseguros a mais vulnerabilidade a transtornos de ansiedade, mas é uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito em cada pessoa.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
