Melatonina: para que serve, dose permitida e riscos
O que é a melatonina
A melatonina endógena é um neuro-hormônio sintetizado principalmente na glândula pineal. Segundo o Consenso Brasileiro de Insônia (Associação Brasileira do Sono, 2023), sua produção segue um ritmo circadiano: à noite, sem luz, ela aumenta, e de dia, com luz, é limitada. Por isso, funciona como um marcador da fase escura, sincronizando o corpo com o ciclo dia e noite.
A melatonina vendida em cápsulas, gotas e comprimidos é a versão exógena (de fora do corpo). O consenso a descreve como um cronobiótico, ou seja, uma substância que atua sobre o relógio biológico, indicado para transtornos do ritmo circadiano. O mesmo documento afirma que ela se tornou, erroneamente, uma das substâncias mais usadas no mundo para induzir o sono.
Para que serve a melatonina
Segundo o Consenso Brasileiro de Insônia de 2023:
Transtornos do ritmo circadiano: a melatonina tem eficácia comprovada no manejo desses transtornos. O horário de uso importa, porque ela pode atrasar ou adiantar a fase do sono, dependendo de quando é tomada.
Insônia em adultos jovens saudáveis: não existem evidências consistentes para o uso. O consenso afirma que não há planejamento terapêutico recomendado com melatonina para a insônia crônica em adultos, pois não há eficácia comprovada.
Idosos e crianças com autismo: apesar de as evidências não serem robustas, o consenso diz que a melatonina pode ser indicada na insônia de início de sono desses grupos. Há também indícios de benefício em crianças com doenças neurológicas, como autismo e TDAH, mas faltam dados de longo prazo.
Para entender a insônia, veja o artigo sobre insônia: sintomas, causas e tratamento. A melatonina não substitui a avaliação médica de uma insônia que dura semanas.
Qual a dose permitida no Brasil
A melatonina não é um medicamento registrado no Brasil. Segundo a CNN Brasil, que noticiou a decisão da diretoria da Anvisa de 14 de outubro de 2021, a agência aprovou a melatonina como suplemento alimentar, com as seguintes condições:
Quem pode usar: apenas adultos, a partir de 19 anos.
Limite diário: 0,21 mg por dia.
Venda: sem prescrição, por ser suplemento.
Avisos no rótulo: não deve ser consumida por gestantes, mulheres que amamentam, crianças e pessoas que realizam tarefas que exigem atenção constante. Quem tem doenças ou usa medicamentos deve consultar um médico antes.
O Consenso Brasileiro de Insônia observa que, no Brasil, há liberação para comercialização em gotas (0,21 mg por gota e 0,20 mg em 6 gotas) e que a molécula está disponível para formulação em farmácias de manipulação. As doses estudadas em pesquisas costumam ser maiores. Uma revisão publicada em 2021 nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria citou doses de 1 a 5 mg para distúrbios do sono em adultos e afirmou que não existe dose mínima ou máxima eficaz estabelecida. Essas doses não devem ser usadas por conta própria, e o médico decide se há indicação, qual a dose e o horário. As regras podem ter mudado desde 2021, então confira a norma vigente no site da Anvisa.
Efeitos colaterais da melatonina
Segundo o consenso, a melatonina exógena é considerada bastante segura em relação a interações medicamentosas, risco de intoxicação, potencial de abuso e efeitos colaterais significativos a curto e médio prazo. Os eventos mais comuns são dor de cabeça e sonolência. A revisão de 2021 também cita náusea, tontura e inquietação e relata que a segurança de uso por muitos anos tem poucos dados.
Cuidados e riscos
Gravidez e amamentação: o consenso afirma que a melatonina não deve ser usada por gestantes, porque atravessa a barreira placentária e não há estudos adequados, e que o uso na amamentação também não é recomendado.
Qualidade dos produtos: como suplemento, a melatonina não passa pelas mesmas regras de qualidade dos medicamentos. O consenso cita um estudo com 30 produtos vendidos no Canadá em que o conteúdo diferia do rótulo, com diferenças grandes na quantidade real de melatonina e presença de serotonina em 26% deles.
Interações: a revisão de 2021 observa que a melatonina é metabolizada no fígado por enzimas que também atuam sobre remédios antiepilépticos e antidepressivos, e relata um caso de nível tóxico de valproato associado ao uso. Informe seu médico sobre tudo o que você toma.
Dirigir e atividades que exigem atenção: o rótulo exigido pela Anvisa alerta contra o uso por quem realiza tarefas que exigem atenção constante.
Insônia persistente: insônia que dura semanas pode ter relação com ansiedade, depressão, apneia do sono ou outras causas. Veja os artigos sobre sintomas de ansiedade e depressão: sintomas e tratamento.
Se você tiver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188 e, em risco imediato, ligue para o SAMU, 192.
Outros remédios para dormir
Muitas pessoas usam remédios para dormir sem orientação. Para saber os riscos de alguns deles, veja os artigos sobre quetiapina para dormir, mirtazapina e zolpidem.
Como conseguir avaliação com psiquiatra online
A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online para avaliar insônia, ansiedade, humor e outras queixas e definir o tratamento mais adequado, com nota 4,9 no Google.
Agendar consulta com psiquiatra online
Perguntas frequentes
Para que serve a melatonina?
Segundo o Consenso Brasileiro de Insônia, para o manejo de transtornos do ritmo circadiano. Não há evidências consistentes para usá-la como remédio para dormir em adultos jovens saudáveis.
Melatonina ajuda a dormir?
Para a insônia crônica em adultos, o consenso afirma que não há eficácia comprovada. Ela pode ser considerada em idosos e em crianças com autismo, com orientação médica.
Qual a dose de melatonina permitida no Brasil?
Como suplemento alimentar para adultos, o limite aprovado pela Anvisa é de 0,21 mg por dia. Doses maiores usadas em estudos dependem de decisão e acompanhamento médico.
Melatonina vicia?
O Consenso Brasileiro de Insônia a considera bastante segura quanto ao potencial de abuso e a efeitos colaterais significativos a curto e médio prazo. Os dados de uso por muitos anos são limitados.
Quem não deve usar melatonina?
Segundo o consenso e os avisos de rótulo exigidos pela Anvisa, gestantes, mulheres que amamentam, crianças (sem indicação médica) e pessoas que realizam tarefas que exigem atenção constante. Quem usa medicamentos ou tem doenças deve consultar um médico.
A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar o seu caso.
Falar com um psiquiatra da TelemedSim
