Personalidade histriônica: sinais, critérios e tratamento
O que é a personalidade histriônica
Segundo o Manual MSD, o transtorno é um padrão generalizado de emocionalidade excessiva e busca de atenção. As pessoas com esse padrão podem usar a aparência física e comportamentos sedutores ou provocativos, de forma inadequada ao contexto, para chamar atenção, e tendem a ser muito sugestionáveis e a ter pouca direção própria. Faz parte do grupo dos transtornos de personalidade (CID F60).
No CID-10, o DATASUS descreve a personalidade histriônica (F60.4) como um transtorno caracterizado por afetividade superficial e instável, dramatização, teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestionabilidade, egocentrismo, falta de consideração pelo outro, desejo permanente de ser apreciado e de ser o centro das atenções, e tendência a se sentir facilmente ferido.
Critérios diagnósticos
Segundo o Manual MSD, com base no DSM-5-TR, são necessários pelo menos 5 destas 8 características:
Desconforto quando não é o centro das atenções
Interações inadequadamente sedutoras ou sexualmente provocativas
Expressão emocional rasa e que muda rapidamente
Uso constante da aparência física para chamar atenção
Fala excessivamente impressionista e vaga, com poucos detalhes
Autodramatização, teatralidade e emoções exageradas
Sugestionabilidade, ou seja, ser facilmente influenciado por outros ou por circunstâncias
Considerar os relacionamentos mais íntimos do que realmente são
Os sinais precisam estar presentes desde o início da vida adulta.
Como aparece no dia a dia
O MSD descreve comportamentos como:
Opiniões fortes expressas de forma dramática, mas com poucos fatos de apoio
Emoções superficiais, que mudam rapidamente
Facilidade de ser influenciado por outros e por modismos do momento
Confiar rápido demais nas pessoas, especialmente em figuras de autoridade
Superestimar a proximidade das relações
Tédio com a rotina, com trocas frequentes de emprego e de amizades
Buscar gratificação imediata
Dificuldade com a intimidade emocional ou sexual
Em alguns casos, assumir um papel, como o de vítima, sem perceber
Tentar controlar parceiros com sedução ou manipulação emocional, ao mesmo tempo em que se torna muito dependente deles
Quão comum é
O Manual MSD estima prevalência abaixo de 2% da população geral e semelhante em homens e mulheres. Relatos antigos de frequência maior em mulheres podem refletir um viés de quem foi estudado em hospitais. O dado vem de estimativas de outros países.
Histriônica ou outros transtornos de personalidade
Segundo o MSD, as diferenças em relação a outros quadros são:
Narcisista: ambos buscam atenção, mas o narcisista quer admiração, enquanto o histriônico é menos seletivo quanto ao tipo de atenção recebida.
Borderline: o borderline tende a se ver como mau e sentir emoções com grande intensidade, enquanto o histriônico não se vê como mau, embora dependa muito da reação dos outros, o que pode vir de baixa autoestima. Veja o artigo sobre transtorno borderline.
Dependente: os dois buscam proximidade, mas o dependente é mais ansioso, inibido e submisso, com medo de rejeição, enquanto o histriônico é menos inibido e mais exuberante.
Também é preciso considerar transtorno de sintomas somáticos e ansiedade de doença.
Condições associadas
O MSD informa que é comum haver outros transtornos de personalidade, como antissocial, borderline e narcisista. O transtorno de sintomas somáticos pode estar presente e explicar por que a pessoa busca avaliação. Depressão maior, depressão persistente e transtorno conversivo também podem coexistir.
Tratamento
As fontes divergem. O Manual MSD descreve a psicoterapia psicodinâmica, voltada para os conflitos subjacentes, como a abordagem listada. O terapeuta pode estimular a pessoa a trocar conversa por comportamento, a se comunicar de forma menos dramática e a reconhecer que os comportamentos histriônicos são uma forma pouco adaptativa de chamar atenção e de lidar com a autoestima. O MSD ressalta que pouco se sabe sobre a eficácia de medicamentos e da terapia cognitivo-comportamental (TCC) nesse transtorno, e não faz recomendação específica de fármacos.
Já uma revisão integrativa brasileira (Ribeiro e colaboradores, 2024), baseada na base PubMed, aponta a TCC e a terapia psicodinâmica como as principais intervenções: a TCC para modificar pensamentos disfuncionais e promover regulação emocional, e a psicodinâmica para compreender conflitos internos. A revisão cita também treino de habilidades sociais e o uso de medicamentos para sintomas associados, em casos graves ou resistentes, e destaca que não há fármacos específicos aprovados para o transtorno. Os autores enfatizam a personalização do tratamento. É uma revisão pequena, que usou uma única base de dados.
Em resumo, a psicoterapia individualizada é o centro do cuidado, e a decisão sobre qualquer medicamento é do médico, para tratar condições como depressão e ansiedade. Nenhum remédio deve ser usado sem prescrição.
Quando buscar ajuda
Procure avaliação quando o padrão de emoções intensas e instáveis e de busca de atenção causa sofrimento, conflitos repetidos nas relações, dependência de aprovação, ou quando vem junto de depressão, ansiedade e queixas físicas sem explicação clara. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
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Perguntas frequentes
Personalidade histriônica é só drama?
Não. É um padrão persistente, com pelo menos 5 de 8 características, que causa sofrimento e prejuízo. Chamar alguém de "histriônico" no dia a dia não é o mesmo que um diagnóstico.
Qual é o CID da personalidade histriônica?
No CID-10, é o F60.4, personalidade histriônica, segundo o DATASUS.
Personalidade histriônica é mais comum em mulheres?
Segundo o Manual MSD, a frequência é semelhante em homens e mulheres. A ideia de que é mais comum em mulheres pode vir de estudos em hospitais, com viés de seleção.
Tem tratamento?
Sim. A psicoterapia é o centro do cuidado, e a decisão sobre medicamentos para depressão ou ansiedade associadas é médica. As evidências sobre qual abordagem funciona melhor ainda são limitadas.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
