Síndrome do impostor: sinais, causas e como lidar
O que é a síndrome do impostor
A síndrome do impostor é a sensação persistente de ser uma fraude, de não merecer as próprias conquistas e de que, a qualquer momento, os outros vão descobrir que você "não é tão capaz assim", mesmo quando há provas do contrário. Não é um diagnóstico psiquiátrico oficial, mas é um fenômeno estudado, associado a ansiedade, depressão e burnout, e que pode ser trabalhado com psicoterapia. Pedir ajuda faz sentido quando a autocobrança passa a causar sofrimento ou a limitar sua vida.
O conceito foi proposto por Pauline Clance e Suzanne Imes, em 1978, para descrever pessoas que duvidam das próprias conquistas mesmo com evidências contrárias, segundo o artigo de adaptação brasileira da Escala Clance (Psico-USF, 2021). O fenômeno foi identificado primeiro em mulheres bem-sucedidas que se viam como fraudes e achavam que não mereciam o que conquistaram.
Um estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Educação Médica descreve a síndrome do impostor como a incapacidade de internalizar o sucesso e a tendência de atribuí-lo a causas externas, como sorte, erro ou ignorância das outras pessoas. Ela não consta como diagnóstico nas classificações de doenças.
Sinais da síndrome do impostor
Segundo os estudos citados, as características são:
A sensação de ter enganado os outros e de ter superestimado a própria capacidade
Atribuir o sucesso a sorte, ajuda dos outros ou coincidência, e não à inteligência e ao esforço
Medo de ser exposto como uma fraude
Desconforto e ansiedade diante de elogios e reconhecimento
Trabalhar demais para esconder uma suposta incompetência
Evitar novas oportunidades de crescimento por medo de ser descoberto
O artigo da Psico-USF descreve ainda comportamentos de autossabotagem, como excesso de trabalho, uso de charme para ganhar aprovação de superiores e evitação do sucesso para escapar de julgamentos duros.
Quem é mais afetado
A síndrome costuma aparecer na vida acadêmica e pode afetar a carreira profissional. A mesma pesquisa de adaptação cita níveis mais altos em estudantes não brancos, mulheres e estudantes do último ano, com base em um estudo anterior. Um estudo brasileiro com 425 estudantes de medicina do Nordeste mostrou que a síndrome foi muito frequente nessa amostra: 11,06% tinham sintomas leves, 35,53% moderados, 38,35% graves e 15,06% muito graves. Esses números são de uma amostra específica, em um curso de alta pressão, e não valem para a população geral.
Síndrome do impostor, ansiedade, depressão e burnout
No estudo da Revista Brasileira de Educação Médica, os sintomas graves ou muito graves da síndrome do impostor se associaram a diagnóstico prévio de depressão e de ansiedade e ao uso de antidepressivos. Houve ainda correlação positiva entre a escala do impostor e a de depressão, e associação com o burnout, em especial nas dimensões de exaustão emocional e descrença. Os autores citam também fatores como ser mulher, baixa autoestima e perfeccionismo, descritos em outros estudos. Como o estudo é transversal, ele mostra associação, e não que uma condição cause a outra.
Isso importa porque a síndrome do impostor muitas vezes aparece junto de quadros tratáveis. Para entender melhor, veja o guia sobre sintomas de ansiedade, que costuma acompanhar o quadro.
Como lidar
As fontes lidas descrevem a síndrome e suas associações, mas não trazem protocolos de tratamento específicos para ela. Pelo que se sabe, o cuidado costuma envolver:
Psicoterapia: especialmente a terapia cognitivo-comportamental, que trabalha pensamentos de fraude, perfeccionismo e autocobrança
Tratar o que vem junto: ansiedade, depressão, burnout e problemas de sono merecem avaliação e tratamento próprios
Reconhecer o padrão: registrar conquistas e feedbacks reais, e conversar com pessoas de confiança, ajuda a contrastar o que você sente com os fatos
Cuidar do corpo e da rotina: o estudo brasileiro encontrou associação entre baixa atividade física e sintomas mais graves, o que sugere atenção a sono, movimento e descanso
Não tome remédios por conta própria: se houver ansiedade ou depressão, a decisão sobre medicação é do médico.
Quando buscar ajuda
Procure um profissional quando o sentimento de fraude gera sofrimento intenso, faz você recusar oportunidades, trabalhar até a exaustão, ter ansiedade ou tristeza persistentes, ou quando vem junto de insônia e desânimo. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
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Perguntas frequentes
Síndrome do impostor é doença?
Não é um diagnóstico psiquiátrico oficial. É um fenômeno descrito na psicologia, que pode vir junto de ansiedade, depressão e burnout, e que pode ser trabalhado em terapia.
Síndrome do impostor é a mesma coisa que baixa autoestima?
Estão relacionadas, mas não são iguais. A baixa autoestima aparece entre os fatores associados em estudos, enquanto a síndrome do impostor tem como marca a sensação de fraude e a dificuldade de atribuir o sucesso ao próprio mérito.
Quem tem síndrome do impostor é incompetente?
Não. O ponto central da síndrome é justamente duvidar da própria capacidade mesmo com provas de competência.
Síndrome do impostor tem cura?
Não é uma doença, então não se fala em cura, mas muitas pessoas melhoram a relação com a autocobrança com apoio psicológico. Se houver ansiedade ou depressão, elas têm tratamento próprio.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
