TDPM: sintomas, diferença da TPM, diagnóstico e tratamento
O que é o TDPM
TDPM, ou transtorno disfórico pré-menstrual, é a forma mais grave da síndrome pré-menstrual (TPM). Em vez de um leve desconforto, a mulher tem sintomas de humor intensos, como irritabilidade, tristeza, ansiedade e descontrole emocional, que aparecem na semana antes da menstruação e atrapalham trabalho, estudos e relacionamentos. Os sintomas melhoram com o início da menstruação e se repetem a cada ciclo. Tem tratamento, e os antidepressivos da classe ISRS são considerados de primeira linha.
Segundo as diretrizes da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina, elaboradas com a Febrasgo, a síndrome pré-menstrual é um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais, cíclicos e recorrentes, que começam na semana anterior à menstruação e aliviam com o início do fluxo. O TDPM é considerado o subtipo mais grave, com predomínio de sintomas de humor e prejuízo no funcionamento social, profissional e familiar.
Não é frescura nem "drama": a causa exata é desconhecida, mas se acredita que mulheres mais sensíveis reajam às oscilações de estradiol e progesterona ao longo do ciclo, que influenciam neurotransmissores como a serotonina. Não há alteração hormonal que explique o quadro, e por isso a dosagem de hormônios não é usada para diagnosticar.
TPM comum ou TDPM
TPM comum | TDPM |
|---|---|
Frequência: Sintomas leves em 75% a 80% das mulheres em idade reprodutiva | Cerca de 3% a 8% |
Predomínio: Sintomas físicos e emocionais variáveis | Sintomas de humor intensos |
Impacto: Incômodo, a rotina costuma seguir | Prejuízo claro em trabalho, estudos e relações |
Sintomas do TDPM
A diretriz brasileira, que usa os critérios do DSM-IV, descreve os sintomas abaixo, que ocorrem na maioria dos ciclos durante a última semana antes da menstruação:
Humor deprimido, desesperança ou pensamentos autodepreciativos
Ansiedade acentuada, tensão, sentimento de estar com os "nervos à flor da pele"
Instabilidade emocional marcante, com choro fácil e mudanças bruscas de humor
Raiva ou irritabilidade persistentes e aumento de conflitos com outras pessoas
Perda de interesse pelas atividades habituais
Dificuldade de concentração
Cansaço intenso e falta de energia
Mudança importante do apetite, com compulsão ou desejo por certos alimentos
Sono em excesso ou insônia
sensações de descontrole emocional
Sintomas físicos como dor ou inchaço nas mamas, dor de cabeça, dores musculares e articulares, sensação de inchaço e ganho de peso
Como é feito o diagnóstico
Segundo a diretriz, o diagnóstico de TDPM exige cinco ou mais desses sintomas, com pelo menos um entre os quatro primeiros da lista (humor deprimido, ansiedade, instabilidade emocional ou irritabilidade). Os sintomas precisam estar presentes na maioria dos ciclos, melhorar depois do início da menstruação e ser documentados de forma prospectiva, ou seja, anotados dia a dia pela própria mulher em um diário, e não apenas lembrados depois.
Essa anotação é importante: a diretriz cita que menos de 50% das mulheres com queixas típicas de TPM realmente têm a síndrome quando os registros são analisados. Também é preciso descartar outras condições que se agravam antes da menstruação, como alterações da tireoide, enxaqueca, fadiga crônica e síndrome do intestino irritável, e diferenciar de quadros como depressão, ansiedade e psicoses.
E o CID?
No CID-10 usado no Brasil, o código N94.3 corresponde à síndrome de tensão pré-menstrual, segundo o DATASUS. O TDPM é a forma grave dessa síndrome. O TDPM também é reconhecido como transtorno mental em classificações psiquiátricas mais recentes, e o código a registrar em laudo ou atestado deve ser definido pelo médico que faz o diagnóstico.
Quando buscar ajuda
Procure avaliação quando os sintomas se repetem todo mês e prejudicam trabalho, estudos, relacionamentos ou o cuidado com os filhos, quando a irritabilidade ou a tristeza antes da menstruação são desproporcionais, ou quando há sinais de ansiedade e depressão que não passam depois da menstruação.
Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda imediatamente. O CVV atende 24 horas pelo telefone 188, gratuitamente.
Tratamento
A diretriz brasileira indica que o tratamento deve ser individualizado e ajustado à gravidade dos sintomas. As principais opções são:
Estilo de vida: atividade física e ajustes na alimentação são recomendados para todas as mulheres com TPM
ISRS: são a classe de primeira linha para TPM e TDPM, podendo ser usados de forma contínua ou apenas na fase lútea (alguns dias antes da menstruação), com eficácia semelhante em estudos citados e, às vezes, menos efeitos colaterais no uso intermitente. Antidepressivos como a fluoxetina estão entre os estudados
Contraceptivos hormonais: os que contêm drospirenona mostraram melhora dos sintomas na diretriz, e a indicação segue critérios de elegibilidade e avaliação do ginecologista
Suplementos e fitoterápicos: vitamina B6, cálcio, magnésio e o extrato de Vitex agnus-castus têm algum benefício em sintomas leves, com evidência limitada, e a diretriz ressalta que são necessários mais estudos
A escolha do tratamento é feita pelo médico, que avalia o quadro, outros problemas de saúde e o desejo de contracepção. Tomar antidepressivo por conta própria ou sem acompanhamento não é recomendado. Em casos com muita ansiedade associada, vale ler também sobre os sintomas de ansiedade.
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Perguntas frequentes
TDPM é a mesma coisa que TPM?
Não. A TPM é comum e geralmente leve ou moderada. O TDPM é a forma grave, com sintomas de humor intensos e prejuízo importante na vida.
TDPM é depressão?
Não é a mesma coisa, mas os sintomas podem lembrar a depressão. A diferença é o padrão cíclico: os sintomas aparecem antes da menstruação e melhoram depois. Uma avaliação ajuda a diferenciar e a identificar se há depressão ou ansiedade associadas.
O TDPM tem cura?
Os sintomas costumam ser crônicos e recorrentes, mas podem ser bem controlados com tratamento. O plano é individual e acompanhado pelo médico.
Preciso tomar antidepressivo todos os dias?
Não necessariamente. Segundo a diretriz, os ISRS podem ser usados de forma contínua ou apenas na fase lútea, e a decisão é feita junto com o médico.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
