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Transtorno bipolar: tipos 1 e 2, sintomas e tratamento

Equipe TelemedSim•19 de outubro de 2026
Transtorno bipolar: tipos 1 e 2, sintomas e tratamento

O que é o transtorno bipolar

Transtorno bipolar, ou transtorno afetivo bipolar, é um transtorno do humor caracterizado pela alternância de episódios de depressão e de mania ou hipomania, que são períodos de humor elevado ou irritável, com muita energia e menos necessidade de sono. É uma doença crônica, mas tem tratamento, principalmente com medicação de manutenção e acompanhamento, e quanto antes for reconhecido, melhor. No tipo 1, o que define o diagnóstico é o episódio de mania; no tipo 2, é a combinação de depressão com hipomania.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno Afetivo Bipolar do tipo I, do Ministério da Saúde (2016), o transtorno é uma doença crônica que causa grande sofrimento e afeta o trabalho, o lazer e as relações. O protocolo informa que é a quarta maior causa de prejuízo funcional entre os transtornos neuropsiquiátricos, atrás apenas da depressão unipolar, dos transtornos por uso de álcool e da esquizofrenia. A idade média de início fica entre 17 e 21 anos, o que atinge os anos formativos da vida.

No CID-10, o transtorno afetivo bipolar é o F31, que o artigo sobre o CID F31 detalha. O protocolo observa que o CID-10 não classifica o transtorno da mesma forma que o DSM-5, que é o sistema mais atual e mais usado.

Mania, hipomania e depressão

Segundo o protocolo:

  • Mania: é o componente fundamental do diagnóstico. As principais características são exaltação do humor, pensamento acelerado com fuga de ideias e aumento da atividade. Associam-se aumento de energia com menos necessidade de sono, fala acelerada, irritabilidade, desconfiança, aumento do desejo sexual e impulsividade.

  • Hipomania: as alterações são mais moderadas e podem ou não causar problemas sérios. Em episódios mais intensos, comprometem profundamente a vida dos pacientes e de suas famílias.

  • Depressão bipolar: o episódio depressivo se caracteriza por lentificação de quase todos os aspectos de emoção e comportamento, como velocidade de pensamento e fala, energia, sexualidade e capacidade de sentir prazer, com gravidade que varia de leve a grave. Os sintomas são os mesmos de outros quadros depressivos, e o que define a depressão como bipolar é a história prévia de mania ou hipomania.

Tipo 1 e tipo 2

Transtorno bipolar tipo 1

Transtorno bipolar tipo 2

O que define: Pelo menos um episódio de mania

O que define: Pelo menos um episódio depressivo e um de hipomania

Depressão: Pode ou não ocorrer

Depressão: Presente

Gravidade da elevação: Mania, mais intensa

Gravidade da elevação: Hipomania, mais moderada

O protocolo descreve que, no tipo 1, a característica definidora é o episódio maníaco, podendo ou não haver episódios depressivos, e que o tipo 2 é caracterizado por pelo menos um episódio depressivo associado a um episódio de hipomania. O protocolo contempla apenas o tipo 1, porque a evidência clínica específica para o tratamento do tipo 2 ainda é limitada.

Critérios do episódio maníaco

Segundo o protocolo, com base no DSM-5, o episódio maníaco exige:

  • Período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, com aumento anormal da energia ou da atividade, de pelo menos uma semana (ou qualquer duração, se for preciso internar).

  • Pelo menos 3 destes sintomas (4, se o humor for só irritável): autoestima inflada ou grandiosidade; pouca necessidade de sono; mais fala que o habitual; fuga de ideias; distração fácil; mais atividade dirigida a objetivos ou agitação; envolvimento excessivo em atividades de risco, como compras desenfreadas, indiscrições sexuais ou investimentos insensatos.

  • Prejuízo acentuado no funcionamento ou necessidade de internação, ou sintomas psicóticos.

  • Quadro não explicado por substâncias ou por outra doença.

O diagnóstico é clínico, feito por médico, e não existe exame que o confirme.

Por que o diagnóstico demora

O protocolo explica que os sintomas depressivos são mais frequentes do que os maníacos ou hipomaníacos ao longo da doença, que muitas vezes começa com um episódio depressivo, e que as pessoas procuram ajuda mais pelos sintomas depressivos, enquanto a mania e a hipomania costumam passar sem ser reconhecidas. Por isso, é importante contar ao médico se já houve períodos de muita energia, pouco sono, irritação ou gastos e decisões impulsivas. Para entender a depressão, veja o artigo sobre depressão: sintomas, causas e quando buscar tratamento.

Quão comum é

O protocolo cita prevalência entre 0,4% e 1,6% em adultos, com estimativas mais amplas, que incluem o espectro, de 4% a 5% em estudos nos Estados Unidos e nos Países Baixos. Um estudo em São Paulo, de 2005, encontrou prevalência ao longo da vida de 0,9%, e uma meta-análise de 2015 indicou 1,06% para o tipo 1.

Riscos e sinais de alerta

O protocolo ressalta que há risco consideravelmente aumentado de suicídio entre pessoas com transtorno bipolar, e que o tratamento de manutenção em longo prazo reduz esse risco. Procure ajuda imediata diante de pensamentos de morte ou de se machucar, de agitação intensa, de ideias de grandeza, de ouvir ou ver coisas que não existem, ou de comportamento de risco que a pessoa não consegue controlar. O CVV atende 24 horas, gratuitamente, pelo telefone 188. Em risco imediato, ligue para o SAMU, 192. A mania com sintomas psicóticos está descrita no artigo sobre o CID F31.2.

Tratamento

Segundo o protocolo, o tratamento do tipo 1 é principalmente medicamentoso, com apoio psicossocial. O carbonato de lítio é o medicamento mais bem validado, tanto para os episódios agudos de humor quanto para a prevenção de novos episódios. Na mania, as combinações de um estabilizador de humor com um antipsicótico mostram resultado melhor do que o estabilizador isolado. Para saber mais sobre esse medicamento, veja o artigo sobre lítio. Para a depressão bipolar, a lamotrigina tem eficácia limitada porque previne sobretudo recaídas depressivas, sem benefício para a mania, segundo o protocolo, e deve ser associada a outro agente que previna a mania. Veja o artigo sobre lamotrigina e o risco de reação na pele.

Pontos importantes do protocolo:

  • Na mania, devem ser suspensos antidepressivos e outros medicamentos que possam estar precipitando os sintomas maníacos, e é preciso avaliar causas clínicas ou uso de substâncias.

  • A fase aguda dura de 8 a 24 semanas, e o tratamento de manutenção é de longo prazo.

  • A psicoeducação e a reabilitação psicossocial fazem parte do cuidado, e uma boa aliança com a equipe é essencial para manter a adesão ao tratamento.

  • A escolha dos medicamentos e das doses, o acompanhamento de exames e de efeitos colaterais são do psiquiatra. Nenhum remédio deve ser iniciado ou interrompido por conta própria, e a interrupção abrupta aumenta o risco de novos episódios.

Quando buscar ajuda

Procure um psiquiatra quando houver oscilações marcantes de humor com períodos de muita energia e pouco sono alternando com períodos de tristeza e desânimo, ou quando um quadro de depressão não melhora ou piora com antidepressivos. Você também deve procurar avaliação se tiver familiares com transtorno bipolar e mudanças de humor que preocupam.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre bipolar tipo 1 e tipo 2?

No tipo 1, o diagnóstico exige pelo menos um episódio de mania. No tipo 2, há pelo menos um episódio depressivo e um de hipomania, que é uma elevação do humor mais moderada.

Transtorno bipolar tem cura?

É uma doença crônica, sem cura definitiva, mas tem tratamento. O protocolo do Ministério da Saúde indica que o tratamento de manutenção de longo prazo previne novos episódios e reduz o risco de suicídio.

Qual é o CID do transtorno bipolar?

No CID-10, o transtorno afetivo bipolar é o F31, segundo o DATASUS e o protocolo do Ministério da Saúde.

Bipolar é a mesma coisa que mudança de humor?

Não. Todo mundo tem variações de humor. No transtorno bipolar, são episódios distintos, que duram dias ou semanas, com mudanças marcantes de energia e de comportamento e prejuízo na vida.

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Fontes

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