Transtorno de personalidade evitativa: sinais e tratamento
O que é o transtorno de personalidade evitativa
Segundo o Manual MSD, o transtorno é caracterizado por evitar situações ou interações sociais que envolvam risco de rejeição, crítica ou humilhação. O diagnóstico é clínico. No CID-10, o DATASUS descreve a personalidade ansiosa (esquiva), em F60.6, como um transtorno marcado por tensão, apreensão, insegurança e sentimento de inferioridade, com desejo permanente de ser amado e aceito, hipersensibilidade à crítica e à rejeição, relutância em se relacionar pessoalmente e tendência a evitar atividades fora da rotina, exagerando perigos em situações banais. Faz parte do grupo dos transtornos de personalidade (CID F60).
O psiquiatra Alan Campos Luciano, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, descreve o quadro como crônico, com início cedo no desenvolvimento e tendência a ficar mais evidente no começo da adolescência.
Critérios diagnósticos
Segundo o Manual MSD, com base no DSM-5-TR, é preciso um padrão persistente de evitação social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à crítica e à rejeição, com pelo menos 4 destas 7 características:
Evitar atividades de trabalho que envolvam contato com outras pessoas
Não se envolver com pessoas a menos que tenha certeza de ser aceito
Contenção nas relações íntimas
Preocupação com ser criticado ou rejeitado em situações sociais
Inibição em situações sociais novas, por sentimentos de inadequação
Visão de si mesmo como socialmente inapto, pouco atraente ou inferior
Relutância em assumir riscos pessoais ou experimentar atividades novas
Os sinais precisam estar presentes desde o início da vida adulta. Só um profissional pode diagnosticar.
Como aparece no dia a dia
O MSD descreve comportamentos como:
Recusar promoções ou evitar reuniões por medo de crítica
Não fazer novos amigos sem ter certeza de ser aceito
Ser quieto, tímido e tentar passar despercebido
Relutar em falar de si, por medo de ser ridicularizado
Evitar riscos e novas atividades, muitas vezes exagerando os perigos
Preferir uma vida limitada, pela segurança e pela certeza
Muitas vezes, evitar o próprio tratamento
Evitativa, fobia social ou timidez
Segundo o Manual MSD, a diferença entre o transtorno de personalidade evitativa e a fobia social (transtorno de ansiedade social) é sutil. A evitação e a ansiedade no transtorno de personalidade são mais generalizadas, enquanto a fobia social costuma ficar limitada a situações com risco de constrangimento em público, como falar em público. A fobia social também pode ser ampla, e os dois quadros frequentemente ocorrem juntos. Pessoas com os dois têm sintomas e prejuízo mais graves do que as com apenas um.
Para o psiquiatra da USP, o diagnóstico diferencial é difícil, e a fobia social tende a ter mais ansiedade e sintomas físicos, às vezes com crises de pânico em situações sociais. Ele destaca que já se achou que o diagnóstico de personalidade evitativa exigia ter fobia social, mas isso se mostrou falso, embora a pessoa possa ter os dois. O capítulo sobre os transtornos fóbico-ansiosos ajuda a entender a fobia social. A timidez, por sua vez, é um traço comum e não costuma causar prejuízo importante na vida.
Quão comum é
O Manual MSD cita prevalência de cerca de 2,1% nos Estados Unidos, com leve predomínio em mulheres. O psiquiatra da USP, citando o NIH americano, fala em 1,5% a 2%. São números de outro país, e a frequência no Brasil pode ser diferente.
Condições associadas
Segundo o Manual MSD, é comum haver depressão maior ou persistente, TOC e outros transtornos de ansiedade, como pânico e fobia social, além de outros transtornos de personalidade, como o dependente e o borderline. O psiquiatra da USP acrescenta o uso de álcool para reduzir a ansiedade social.
Tratamento
Segundo o Manual MSD, as opções incluem:
Terapia cognitivo-comportamental com foco em habilidades sociais, de preferência em grupo
Psicoterapia de apoio e psicoterapia psicodinâmica, que trabalha conflitos subjacentes
Medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos, para reduzir a ansiedade e facilitar a exposição a situações novas. O MSD observa que não há ensaios com placebo para medicamentos nesse transtorno
O MSD ressalta que muitas pessoas com o transtorno evitam o tratamento, e que se beneficiam de terapia individual de apoio, sensível à hipersensibilidade em relação aos outros. A escolha de qualquer medicamento é do médico, e nenhum deve ser usado sem prescrição.
Quando buscar ajuda
Procure avaliação quando o medo de rejeição está limitando trabalho, estudos, amizades e relações amorosas, quando há sensação constante de inadequação e isolamento, ou quando vêm junto tristeza, ansiedade e uso de álcool para lidar com as situações sociais. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
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Perguntas frequentes
Personalidade evitativa é só timidez?
Não. A timidez é um traço comum e não costuma impedir a vida. No transtorno, o medo de rejeição e o sentimento de inadequação são intensos, persistentes e limitam trabalho, amizades e relações.
Qual é a diferença entre personalidade evitativa e fobia social?
São parecidas e muitas vezes ocorrem juntas. A evitação na personalidade evitativa é mais generalizada, enquanto a fobia social costuma se concentrar em situações de exposição, como falar em público.
Qual é o CID da personalidade evitativa?
No CID-10, é o F60.6, personalidade ansiosa (esquiva), segundo o DATASUS.
Tem tratamento?
Sim. A terapia cognitivo-comportamental com foco em habilidades sociais é uma das opções citadas, com psicoterapia de apoio ou psicodinâmica e, em alguns casos, medicação para a ansiedade.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
