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Transtorno delirante: sinais, tipos, CID F22 e tratamento

Equipe TelemedSim•28 de outubro de 2026
Transtorno delirante: sinais, tipos, CID F22 e tratamento

O que é o transtorno delirante?

O transtorno delirante (CID-10 F22) é um transtorno psicótico caracterizado por uma ou mais convicções falsas e firmes, os delírios, que persistem por pelo menos 1 mês, sem os outros sintomas da esquizofrenia, como alucinações proeminentes e fala desorganizada. A pessoa mantém a crença mesmo diante de provas claras em contrário. Em geral, começa no meio ou no fim da vida adulta, e o funcionamento no dia a dia costuma ficar relativamente preservado, exceto nas áreas ligadas ao delírio. O diagnóstico é clínico, e o tratamento se baseia no vínculo com o médico e, às vezes, em antipsicóticos.

Tipos de delírio

O Manual MSD descreve cinco tipos principais:

  • Persecutório: a pessoa acredita estar sendo vítima de trama, espionagem, difamação ou perseguição, e pode fazer denúncias repetidas a órgãos ou a juízes.

  • Ciumento: convicção de que o parceiro é infiel, baseada em conclusões incorretas e evidências duvidosas. Veja também o artigo sobre ciúme patológico.

  • Erotomaníaco: crença de que outra pessoa está apaixonada por ela, com tentativas de contato.

  • Grandioso: convicção de ter um grande talento ou de ter feito uma descoberta importante.

  • Somático: delírio sobre uma função ou aparência do corpo, como deformidade, odor ou parasitas.

Quanto ao conteúdo, os delírios podem ser não bizarros (situações possíveis, como ser seguido, envenenado ou enganado pelo cônjuge) ou bizarros (situações impossíveis, como ter órgãos retirados sem cicatriz).

Sinais e sintomas

Segundo o Manual MSD, os sinais iniciais incluem:

  • Sensação de ser explorado;

  • Preocupação com a lealdade de amigos;

  • Tendência a interpretar eventos inofensivos como ameaças;

  • Ressentimento persistente e reação intensa a descortesias percebidas.

Fora do tema do delírio, o comportamento não é obviamente estranho, e o funcionamento não costuma ser muito prejudicado. Os prejuízos, como isolamento, conflitos no casamento ou no trabalho e estigma, vêm em geral do próprio delírio. A pessoa costuma ter pouca consciência de que está doente, o que dificulta pedir ajuda.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, feito por médico, com base nos critérios do DSM-5-TR descritos no Manual MSD:

  • Presença de pelo menos 1 delírio por pelo menos 1 mês;

  • Nunca ter preenchido o critério de esquizofrenia;

  • Ausência de prejuízo importante do funcionamento e de comportamento obviamente bizarro;

  • Episódios de humor, se houver, relativamente breves em comparação com os períodos de delírio;

  • Exclusão de doença clínica, uso de substâncias ou outro transtorno mental como causa.

O médico também faz exame físico e, às vezes, exames para excluir outras doenças. O manual lista entre as causas a descartar o abuso de substâncias, a doença de Alzheimer, a epilepsia, o transtorno obsessivo-compulsivo e o delirium. O manual também diz que avaliar o risco de a pessoa agir com base nos delírios é fundamental.

Transtorno delirante ou esquizofrenia: qual a diferença?

O ponto central é a ausência dos outros sintomas de psicose. Segundo o Manual MSD, na esquizofrenia há, por exemplo, alucinações proeminentes, fala ou comportamento desorganizado e sintomas negativos, que não fazem parte do transtorno delirante. A CID-10 também observa que alucinações auditivas persistentes, sintomas típicos da esquizofrenia e evidência clara de doença cerebral são incompatíveis com o diagnóstico de transtorno delirante. O manual menciona ainda que o transtorno pode surgir em quem já tem um transtorno de personalidade paranoide.

Tratamento

Segundo o Manual MSD:

  • Vínculo com o médico: construir uma relação eficaz e de confiança é o ponto de partida, porque a falta de consciência do transtorno é um desafio.

  • Antipsicóticos: às vezes podem aliviar os sintomas, mas o manual afirma que não há dados suficientes para sustentar um medicamento específico. Nunca inicie ou pare um remédio por conta própria.

  • Internação: pode ser necessária se a pessoa for avaliada como perigosa para si ou para outros.

  • Psicoterapia e objetivos de longo prazo: o manual cita redirecionar a principal preocupação da pessoa para uma área mais construtiva e gratificante, o que é difícil, mas razoável.

Prognóstico: o transtorno geralmente não causa prejuízos graves nem mudanças importantes da personalidade, e a maioria das pessoas pode continuar trabalhando, desde que o trabalho não envolva o tema do delírio. As preocupações delirantes, porém, podem progredir aos poucos.

Como ajudar alguém que tem crenças fixas e falsas?

O Manual MSD não traz orientações para familiares. Em termos gerais, vale:

  • Evitar discussões e provas para tentar desmontar a crença, que costuma não ceder;

  • Incentivar a pessoa a procurar um médico, com respeito, sem rotular;

  • Procurar atendimento de urgência (SAMU 192) se houver risco de agressão ou de a pessoa se machucar, por exemplo, se o delírio envolver ameaças a alguém.

Se você ou alguém próximo tiver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.

Como conseguir avaliação com psiquiatra online?

A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online para avaliar sintomas, humor e ansiedade e orientar os próximos passos, com nota 4,9 no Google. Quadros psicóticos podem exigir acompanhamento próximo e, em alguns casos, atendimento presencial ou internação.

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Perguntas frequentes

O que é o transtorno delirante?

É um transtorno psicótico em que a pessoa tem uma ou mais convicções falsas e firmes (delírios) por pelo menos 1 mês, sem os outros sintomas da esquizofrenia.

Qual o CID do transtorno delirante?

O CID-10 do transtorno delirante é F22.

Transtorno delirante é esquizofrenia?

Não. Na esquizofrenia há outros sintomas de psicose, como alucinações proeminentes, fala ou comportamento desorganizado e sintomas negativos, que não fazem parte do transtorno delirante.

Quais os tipos de transtorno delirante?

O Manual MSD descreve os tipos persecutório, ciumento, erotomaníaco, grandioso e somático.

Transtorno delirante tem tratamento?

Sim. O manual descreve o vínculo de confiança com o médico, antipsicóticos em alguns casos e internação se houver perigo. A maioria das pessoas consegue manter o trabalho.

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