Bulimia nervosa: sintomas, sinais de alerta e tratamento
O que é a bulimia nervosa
A bulimia nervosa (CID-10 F50.2) é um transtorno alimentar em que a pessoa tem episódios repetidos de compulsão alimentar, com sensação de perda de controle, seguidos de comportamentos para compensar o excesso e evitar o ganho de peso. Em geral, o peso é normal ou acima do normal, por isso o problema pode passar despercebido. Pode trazer complicações no esôfago, nos dentes e no equilíbrio de sais minerais do sangue. Tem tratamento: a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem de escolha, e antidepressivos às vezes ajudam. Quem se reconhece nesses sinais deve procurar um profissional, sem vergonha.
Segundo o Manual MSD, a bulimia nervosa se caracteriza por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos de comportamento compensatório inadequado. A CID-10 (DATASUS) descreve acessos repetidos de hiperfagia (comer demais) e preocupação excessiva com o controle do peso, e cita que esse transtorno divide características psicológicas com a anorexia nervosa, como a preocupação exagerada com a forma e o peso do corpo.
O Manual MSD estima que a prevalência ao longo da vida é de cerca de 0,5% nas mulheres e 0,1% nos homens, e que a bulimia afeta principalmente adolescentes e adultos jovens. É um transtorno de saúde mental, e não um problema de força de vontade.
Veja também o artigo geral sobre transtornos alimentares e a diferença para a compulsão alimentar.
Sintomas e sinais de alerta
Segundo o Manual MSD, o quadro inclui:
Compulsão alimentar: comer rapidamente uma grande quantidade de comida, com sensação de perda de controle. Costuma ser desencadeada por estresse emocional e acontecer em segredo.
Comportamentos compensatórios: tentativas inadequadas de evitar o ganho de peso depois dos episódios, como o vômito provocado, o uso indevido de medicamentos, o jejum ou o exercício em excesso.
Preocupação com o corpo: autoestima muito ligada ao peso e à forma do corpo.
Culpa e remorso: depois dos episódios, e mais consciência do problema do que na anorexia.
Outras condições: o uso de substâncias, a depressão e a ansiedade são mais comuns.
Os sinais físicos que o médico ou o dentista podem notar incluem inchaço das glândulas salivares (nas bochechas), desgaste do esmalte dos dentes e inflamação do esôfago. O peso costuma oscilar em torno do normal, o que dificulta o reconhecimento.
Riscos e complicações
Segundo o Manual MSD, as complicações são em geral menos graves do que as da anorexia, porque não há grande perda de peso, mas ainda podem ser sérias:
Sais minerais do sangue: alterações graves, principalmente a queda do potássio, que podem causar arritmias do coração.
Dentes e esôfago: erosão do esmalte e esofagite.
Complicações raras e graves: ruptura do esôfago ou do estômago, e problemas no coração com o uso prolongado de certas substâncias.
Se houver desmaio, palpitações, dor forte no peito ou no abdome, vômito com sangue ou confusão, procure atendimento de urgência: SAMU 192.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico, feito por médico, com base nos critérios do DSM-5-TR descritos no Manual MSD:
Episódios recorrentes de compulsão alimentar com sensação de perda de controle, em média pelo menos 1 vez por semana durante 3 meses.
Comportamento compensatório inadequado recorrente, na mesma frequência.
Autoavaliação indevidamente influenciada pela forma e pelo peso do corpo.
A avaliação psiquiátrica é a base do diagnóstico, e exames de sangue podem ajudar a detectar a queda do potássio. Como a depressão e a ansiedade são comuns nesse quadro, veja também depressão: sintomas, causas e quando buscar tratamento e sintomas de ansiedade.
Tratamento da bulimia nervosa
Segundo o Manual MSD:
Terapia cognitivo-comportamental (TCC): é o tratamento de escolha. Costuma durar de 16 a 20 sessões individuais, em 4 a 5 meses, podendo ser feita em grupo. O objetivo é aumentar a motivação, normalizar a alimentação, reduzir a preocupação com o peso e a forma do corpo e prevenir recaídas. A TCC elimina as compulsões e os comportamentos compensatórios em cerca de 35% a 50% das pessoas.
Psicoterapia interpessoal: é uma alternativa quando a TCC não está disponível, com foco nos problemas de relacionamento que mantêm o transtorno.
Antidepressivos (ISRS): podem reduzir a frequência dos episódios e tratar a ansiedade e a depressão associadas, mas não são o ideal como tratamento único. A fluoxetina é um dos mais usados, em doses definidas pelo médico. Veja o artigo sobre fluoxetina.
O manual informa que muitas pessoas melhoram, e que a melhora costuma se manter a longo prazo, embora algumas abandonem o tratamento ou não respondam. Nunca inicie ou pare um remédio por conta própria.
Como ajudar alguém que pode ter bulimia
Incentive a busca de um profissional de saúde, de preferência com experiência em transtornos alimentares.
Converse com calma e sem julgamento, e evite comentários sobre o corpo, o peso ou a comida.
Lembre que a vergonha e o segredo fazem parte do quadro, e que pedir ajuda é uma atitude de coragem.
Se você ou alguém próximo tiver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
Como conseguir avaliação com psiquiatra online
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Perguntas frequentes
Qual o CID da bulimia nervosa?
O CID-10 da bulimia nervosa é F50.2.
Qual a diferença entre bulimia e compulsão alimentar?
Na bulimia, os episódios de compulsão são seguidos de comportamentos para compensar o excesso e evitar o ganho de peso. Veja o artigo sobre compulsão alimentar para as diferenças.
Qual a diferença entre bulimia e anorexia?
Na anorexia nervosa, o peso é significativamente baixo. Na bulimia, o peso costuma ser normal ou acima do normal, segundo o Manual MSD.
Bulimia tem cura?
Segundo o Manual MSD, muitas pessoas melhoram com o tratamento, e a melhora geralmente se mantém a longo prazo. A TCC elimina compulsões e comportamentos compensatórios em cerca de 35% a 50% das pessoas, e algumas não respondem ou abandonam o tratamento.
Bulimia se trata com remédio?
A TCC é o tratamento de escolha. Antidepressivos (ISRS), como a fluoxetina, podem reduzir os episódios e tratar a depressão e a ansiedade associadas, mas não são ideais sozinhos. A decisão é do médico.
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