Compulsão alimentar: sinais, critérios e tratamento
O que é compulsão alimentar?
Compulsão alimentar, ou transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP), é um transtorno em que a pessoa tem episódios de comer uma quantidade muito grande de comida com a sensação de perda de controle, sem comportamentos para compensar depois, como vomitar ou usar laxantes. Não é falta de força de vontade nem "gula". Costuma vir com sofrimento, culpa e vergonha, e tem tratamento eficaz, principalmente com terapia cognitivo-comportamental. O diagnóstico é clínico, feito por um profissional.
Segundo o Manual MSD, o transtorno de compulsão alimentar é caracterizado por episódios de comer quantidades muito grandes de alimento com sensação de perda de controle, não seguidos de comportamentos compensatórios inadequados, como vômito provocado ou uso de laxantes. É isso que o diferencia da bulimia nervosa. É um dos quadros descritos no artigo geral sobre transtornos alimentares.
Um editorial da Revista Brasileira de Psiquiatria (2004) observa que o TCAP não se limita a pessoas com obesidade, embora seja frequente em quem busca tratamento para emagrecer.
Critérios diagnósticos
Segundo o Manual MSD, com base no DSM-5-TR, o diagnóstico exige:
Compulsão alimentar, em média, pelo menos 1 vez por semana durante 3 meses
Sensação de falta de controle sobre o que e quanto come
Pelo menos 3 destes: comer muito mais rápido que o normal; comer até se sentir desconfortavelmente cheio; comer grandes quantidades sem fome física; comer sozinho por vergonha; sentir-se enjoado, deprimido ou culpado depois
Ausência de comportamentos compensatórios regulares
As pessoas com o transtorno costumam se incomodar com ele.
Sinais de alerta
Episódios de comer muito, rápido, com a sensação de não conseguir parar
Comer escondido ou sozinho por vergonha
Comer sem fome
Culpa, vergonha ou tristeza depois dos episódios
Esconder comida, mentir sobre o que comeu
Passar o dia todo pensando em comida, corpo e regras de alimentação
Compulsão alimentar ou bulimia?
Compulsão alimentar (TCAP) | Bulimia nervosa |
|---|---|
Episódios de comer muito | Sim |
Comportamentos para compensar | Ausentes |
Presentes (vômito, laxantes e outros) |
Esse é o critério central que o MSD usa para diferenciar os dois quadros.
Quão comum é?
O MSD estima que cerca de 1% a 2% das mulheres e menos de 1% dos homens na população geral têm o transtorno ao longo da vida. O editorial brasileiro de 2004 cita de 1,5% a 5% na população geral e de 7,5% a 30% em amostras de pessoas com obesidade em tratamento. Os números variam conforme a amostra e a época.
Condições associadas
O Manual MSD associa a compulsão alimentar ao sobrepeso e à obesidade e a suas complicações, como hipertensão e diabetes, e relata que depressão leve a moderada é mais comum em quem tem obesidade e compulsão alimentar do que em quem tem peso semelhante sem compulsão. O editorial brasileiro cita ainda ansiedade e impulsividade e alterações da imagem corporal. Para entender os sinais de ansiedade, veja o guia sobre sintomas de ansiedade.
Tratamento
Segundo o Manual MSD:
Terapia cognitivo-comportamental (TCC): é o tratamento de primeira linha, o mais estudado e com maior apoio. A psicoterapia interpessoal também pode ser usada e parece igualmente eficaz. As duas produzem remissão em cerca de 50% dos casos, com melhora que, em geral, se mantém bem no longo prazo.
Medicamentos: costumam ser antidepressivos da classe dos ISRS, que reduzem os episódios no curto prazo, ou lisdexanfetamina, em casos moderados a graves, que reduz os dias com compulsão. Para os dois, a eficácia a longo prazo não é conhecida. O editorial brasileiro também cita estudos curtos, de 6 a 14 semanas, com alta resposta a placebo. Para entender a lisdexanfetamina, veja o artigo sobre para que serve e quando é indicada.
Atenção ao foco em emagrecer: segundo o MSD, as psicoterapias não produzem perda de peso significativa em pessoas com obesidade, e o tratamento comportamental convencional para emagrecer reduz a compulsão no curto prazo, mas as pessoas tendem a recair. O tratamento da compulsão alimentar tem como foco os episódios e o sofrimento, e não só o peso.
A escolha de medicamentos é do médico, avaliando benefícios e riscos, e nenhum deve ser usado por conta própria para emagrecer. O cuidado costuma envolver psicólogo, psiquiatra e nutricionista.
Quando buscar ajuda?
Procure um profissional quando os episódios de comer com perda de controle se repetem, causam culpa, vergonha ou isolamento, ou quando vêm junto de tristeza, ansiedade e dietas que não funcionam. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
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Perguntas frequentes
Compulsão alimentar é falta de força de vontade?
Não. É um transtorno alimentar reconhecido, com critérios clínicos, e costuma vir com sofrimento, culpa e vergonha. Tem tratamento.
Qual a diferença entre compulsão alimentar e bulimia?
Nos dois há episódios de comer muito com perda de controle, mas na bulimia a pessoa usa comportamentos para compensar, como vômito ou laxantes, e na compulsão alimentar não.
Compulsão alimentar tem cura?
Tem tratamento eficaz. Segundo o Manual MSD, a TCC e a psicoterapia interpessoal produzem remissão em cerca de 50% dos casos, com melhora que se mantém bem no longo prazo.
Remédio para emagrecer resolve compulsão alimentar?
Não. O tratamento da compulsão alimentar tem como foco os episódios, e não apenas o peso. Medicamentos têm indicações específicas e são de decisão médica. Não use remédios por conta própria.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
