Clozapina: para que serve, dose e efeitos colaterais
Clozapina: para que serve, dose e efeitos colaterais
A clozapina é um antipsicótico que, segundo a bula, é indicado para esquizofrenia resistente ao tratamento (quando outros antipsicóticos não funcionaram ou não foram tolerados), para reduzir o risco de comportamento suicida recorrente em pessoas com esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo e para psicose na doença de Parkinson. Exige exames de sangue regulares, porque pode causar agranulocitose, uma queda grave das células de defesa. Os efeitos mais comuns são sonolência, tontura, taquicardia, constipação e salivação excessiva. É um remédio de uso especializado, só com prescrição e acompanhamento médico, e nunca deve ser interrompido por conta própria.
Para que serve a clozapina
Segundo a bula consultada (ConsultaRemédios), a clozapina é indicada para:
Esquizofrenia resistente ao tratamento: em pessoas que não respondem ou são intolerantes a outros antipsicóticos. A bula define a falta de resposta como ausência de melhora satisfatória apesar do uso de pelo menos dois antipsicóticos, em doses e por tempo adequados. A intolerância é a impossibilidade de melhora com antipsicóticos clássicos por reações neurológicas graves e intratáveis.
Redução do risco de comportamento suicida recorrente: em pessoas com esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo consideradas sob risco de repetir o comportamento suicida.
Psicose na doença de Parkinson: quando o tratamento padrão não deu resultado satisfatório.
Para entender a doença, veja os artigos sobre CID F20, esquizofrenia e CID F29, psicose não especificada. Para conhecer outros antipsicóticos, veja olanzapina e haloperidol.
Exames de sangue: por que são obrigatórios
A bula alerta que a clozapina pode produzir agranulocitose (diminuição do número das células de defesa do sangue) e, por isso, exige controles hematológicos periódicos:
Antes de começar: o tratamento só deve ser iniciado com contagem de glóbulos brancos de pelo menos 3.500/mm³ e de neutrófilos de pelo menos 2.000/mm³, dentro dos limites normais.
Frequência: a bula recomenda contagem de glóbulos brancos semanal nos seis primeiros meses de tratamento e quinzenal depois disso.
Contraindicação: pacientes incapazes de fazer hemogramas regulares não devem usar o medicamento.
Sinais de alerta: febre alta, sintomas de gripe ou infecção devem ser avisados ao médico imediatamente.
Não falte aos exames de sangue, e fale com o médico se tiver febre, dor de garganta ou sinais de infecção.
Dose segundo a bula
Segundo a bula, na esquizofrenia resistente ao tratamento:
Início: 12,5 mg uma ou duas vezes no primeiro dia, seguido de 25 mg uma ou duas vezes no segundo dia, com aumento gradual de 25 a 50 mg por dia, se bem tolerado, até 300 mg por dia em 2 a 3 semanas.
dose terapêutica: na maioria dos pacientes, a eficácia é esperada com 300 a 450 mg por dia, em doses fracionadas. Alguns podem ser tratados com menos, e outros podem precisar de até 600 mg por dia.
Dose máxima: até 900 mg por dia em alguns casos, mas a bula alerta que doses acima de 450 mg por dia aumentam o risco de reações adversas, principalmente convulsões.
Titulação: o aumento lento e a divisão da dose são necessários para minimizar os riscos de hipotensão, convulsão e sedação.
Reinício: quem fica mais de 2 dias sem tomar deve reiniciar o tratamento com a dose inicial, sob orientação médica.
Suspensão: a bula recomenda reduzir a dose gradualmente, durante 1 a 2 semanas. Se a interrupção abrupta for necessária, o paciente deve ser observado de perto.
Essas são as doses descritas na bula, e a dose certa depende de cada pessoa, definida pelo médico.
Efeitos colaterais da clozapina
Segundo a bula, as reações mais graves são agranulocitose, convulsões, efeitos cardiovasculares e febre. As mais comuns são:
Sonolência e sedação
Tontura
Taquicardia (coração acelerado)
Constipação
Hipersalivação (salivação excessiva)
Os eventos mais comuns que levaram à interrupção do tratamento em estudos incluíram leucopenia. A bula orienta evitar dirigir e operar máquinas, principalmente nas primeiras semanas, porque a clozapina causa sedação e reduz o limiar para convulsões.
Avisos e riscos importantes
Coração: miocardite, cardiomiopatia e outras disfunções cardiovasculares foram relatadas, principalmente em pacientes com taquicardia persistente, dor no peito, falta de ar ou arritmias. Nesses casos, a bula recomenda avaliação urgente por um cardiologista. Procure atendimento imediato se tiver esses sintomas.
Intestino: a bula alerta para alterações do trânsito intestinal, de constipação a obstrução, impactação fecal e íleo paralítico, que em raras ocasiões foram fatais.
Convulsões: o risco aumenta com doses mais altas, e a epilepsia não controlada é contraindicação.
Febre: elevações transitórias de temperatura acima de 38 °C são comuns, com pico nas três primeiras semanas, e em geral benignas. Febre alta também pode indicar agranulocitose ou síndrome neuroléptica maligna, e deve ser avaliada pelo médico.
Álcool e depressores do sistema nervoso central: a clozapina pode potencializar os efeitos do álcool, de inibidores da MAO e de depressores como narcóticos, anti-histamínicos e benzodiazepínicos. Informe todos os remédios que usa.
Idosos com demência: a bula cita aumento de risco de eventos cerebrovasculares com alguns antipsicóticos atípicos nessa população.
Fígado: quem tem alterações hepáticas estáveis precisa de testes regulares da função do fígado.
Se você ou alguém próximo tiver pensamentos de morte ou de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188 e, em risco imediato, ligue para o SAMU, 192.
Contraindicações
Segundo a bula, a clozapina é contraindicada em casos de hipersensibilidade, pacientes incapazes de fazer hemogramas regulares, histórico de granulocitopenia ou agranulocitose, transtornos do sangue, epilepsia não controlada, psicoses alcoólicas e tóxicas, intoxicação por drogas, colapso circulatório ou depressão do sistema nervoso central, doenças graves dos rins ou do coração (como miocardite), doença ativa do fígado e íleo paralítico.
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Perguntas frequentes
Para que serve a clozapina?
Segundo a bula, para esquizofrenia resistente ao tratamento, para reduzir o risco de comportamento suicida recorrente na esquizofrenia ou no transtorno esquizoafetivo e para psicose na doença de Parkinson.
Por que a clozapina exige exame de sangue?
Porque pode causar agranulocitose, uma queda grave dos glóbulos brancos. A bula recomenda contagem semanal nos seis primeiros meses e quinzenal depois.
Qual a dose de clozapina?
Segundo a bula, começa com 12,5 mg e aumenta aos poucos. Na maioria dos pacientes, a eficácia é esperada com 300 a 450 mg por dia, com máximo de 900 mg por dia em alguns casos. A dose certa é definida pelo médico.
Clozapina dá sono?
Sim. Sonolência e sedação estão entre os efeitos mais comuns, e a bula orienta evitar dirigir, principalmente nas primeiras semanas.
Posso parar a clozapina de uma vez?
Não. A bula recomenda reduzir a dose gradualmente, durante 1 a 2 semanas, e observar de perto o paciente em caso de interrupção abrupta. Quem ficar mais de 2 dias sem tomar deve recomeçar a dose com orientação médica.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter estritamente informativo. A TelemedSim não possui vínculo ou relação comercial com indústrias farmacêuticas. Converse sempre com seu médico para receber o tratamento adequado.
