Memantina: para que serve, dose e efeitos colaterais
Memantina: para que serve, dose e efeitos colaterais
A memantina é um medicamento indicado para o tratamento da doença de Alzheimer moderada a grave. Ela age em um sistema diferente do da donepezila: bloqueia os receptores NMDA, ligados ao glutamato, um neurotransmissor que, em excesso, contribui para os sintomas e a evolução da demência. A dose é aumentada aos poucos, em 4 semanas, até 20 mg por dia. O tratamento deve ser iniciado por médico com experiência em demência e só com um cuidador que acompanhe a tomada do remédio.
Para que serve a memantina
A indicação em bula é o tratamento da doença de Alzheimer moderada a grave. A bula descreve estudos em que a memantina trouxe benefícios em comparação com o placebo ao fim de 6 meses, em medidas de função global, de atividades da vida diária e de cognição.
Em um dos estudos em Alzheimer leve a moderado, a bula informa que não houve significância estatística na medida principal de eficácia, o que ajuda a explicar por que a indicação é para a fase moderada a grave. Para entender como a demência é classificada, veja o artigo da TelemedSim sobre o CID F03, a demência não especificada.
Como a memantina age
A memantina é um antagonista não competitivo dos receptores NMDA. A bula explica que a ativação prolongada desses receptores pelo glutamato contribui para a expressão dos sintomas e para a evolução da demência, e que a memantina modula essa ativação.
O que esperar do tratamento
Numa análise conjunta de seis estudos em Alzheimer moderado a grave, a bula informa que o dobro de pacientes do grupo placebo piorou ao mesmo tempo nos três domínios avaliados (cognição, global e função), em comparação com o grupo da memantina: 21% contra 11%. Isso indica um benefício em reduzir a piora, e não uma cura. O efeito varia de pessoa para pessoa.
Dose da bula
Período | Dose por dia |
|---|---|
Semana 1 | 5 mg (meio comprimido de 10 mg) |
Semana 2 | 10 mg (1 comprimido) |
Semana 3 | 15 mg (1 comprimido e meio) |
A partir da semana 4 | 20 mg (dose de manutenção e dose máxima diária) |
A bula orienta tomar todos os dias, no mesmo horário, com água e com ou sem alimentos. O comprimido pode ser partido, mas não deve ser mastigado. Para idosos acima de 65 anos, a dose recomendada também é de 20 mg por dia, seguindo a titulação.
A tolerância e a dose devem ser reavaliadas nos 3 primeiros meses e depois regularmente. A descontinuação deve ser considerada quando o paciente não apresentar mais benefício ou não tolerar o remédio. Essas são as doses de referência: a dose certa é sempre definida pelo médico.
Ajustes em doenças dos rins e do fígado
Rins, comprometimento leve: sem necessidade de ajuste
Rins, comprometimento moderado: 10 mg por dia, podendo subir até 20 mg se bem tolerado após pelo menos 7 dias
Rins, comprometimento grave: 10 mg por dia
Fígado, comprometimento leve a moderado: sem ajuste. Em comprometimento grave, o uso não é recomendado
Efeitos colaterais
A bula informa que, em estudos com 1.784 pacientes tratados, a frequência geral de reações adversas não foi diferente da do placebo, e que elas foram normalmente de intensidade leve a moderada. As mais frequentes foram:
Tontura e distúrbios de equilíbrio
Dor de cabeça
Constipação (intestino preso)
Sonolência
Pressão alta
Menos comuns: confusão e alucinações (observadas principalmente na doença de Alzheimer grave), alterações na marcha, vômitos, cansaço e, raramente, insuficiência cardíaca, trombose e convulsões. Foram notificados, com frequência desconhecida, reações psicóticas, hepatite e pancreatite.
A bula também lembra que a doença de Alzheimer está associada a depressão, pensamentos suicidas e suicídio, e que esses efeitos foram notificados em pacientes tratados com memantina. Mudanças de humor devem ser comunicadas ao médico.
Precauções
Convulsões: cuidado em quem tem epilepsia, antecedente de convulsões ou fatores que predispõem a elas
Urina alcalina: mudanças drásticas na dieta (como passar de uma dieta com carne para vegetariana), uso de grandes quantidades de antiácidos do tipo tampão, acidose tubular renal e infecções urinárias graves por bactérias Proteus podem aumentar o pH da urina e exigem monitoramento
Coração: os estudos excluíram pacientes com infarto recente, insuficiência cardíaca descompensada ou pressão alta não controlada, então os dados são limitados e esses pacientes devem ser acompanhados de perto
Dirigir: a doença e o remédio podem prejudicar a habilidade e a atenção
Interações
Deve-se evitar o uso junto com amantadina, cetamina e dextrometorfano, que atuam no mesmo sistema e aumentam o risco de efeitos no sistema nervoso central e de psicose. Os efeitos de levodopa, de agonistas dopaminérgicos e de anticolinérgicos podem ser amplificados. Os efeitos de barbitúricos e de neurolépticos podem ser reduzidos. Dantroleno e baclofeno podem precisar de ajuste de dose. Cimetidina, ranitidina, quinidina, quinina e nicotina podem aumentar o nível de memantina no sangue. Os níveis de hidroclorotiazida podem diminuir.
Informe ao médico todos os remédios em uso. Para entender outros medicamentos usados em quadros de agitação em idosos com demência, veja os artigos sobre risperidona e haloperidol.
Quem não deve usar
A memantina é contraindicada em caso de hipersensibilidade ao medicamento ou a algum componente da fórmula. Não é recomendada para menores de 18 anos. Na gravidez, a categoria de risco é B, e o uso deve ser evitado a menos que seja absolutamente necessário. Mulheres que usam o remédio não devem amamentar.
Sinais de alerta
Procure atendimento de emergência (SAMU, 192) se houver confusão intensa, sonolência extrema que não passa, convulsão, agitação ou agressividade fora do habitual, alucinações novas ou perda de consciência. Esses são sinais compatíveis com os efeitos descritos na bula em casos de superdose, para a qual não existe antídoto específico. Em caso de pensamentos de morte, o CVV (188) atende 24 horas.
Como conseguir avaliação com psiquiatra online
A memantina é vendida sob prescrição. A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online para avaliar sintomas de perda de memória e de função, discutir o diagnóstico e acompanhar o tratamento, com a participação de familiares e cuidadores. O artigo sobre o transtorno cognitivo leve (CID F06.7) ajuda a entender fases anteriores à demência.
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Perguntas frequentes
Memantina e donepezila são a mesma coisa?
Não. São medicamentos diferentes, com mecanismos diferentes: a memantina bloqueia receptores NMDA, e a donepezila é um inibidor da colinesterase. Podem ser usados em momentos distintos da doença, e a decisão é sempre do médico.
A memantina serve para Alzheimer leve?
A indicação em bula é para a doença de Alzheimer moderada a grave. Em um estudo em doença leve a moderada, a bula informa que não houve significância estatística na medida principal de eficácia.
Qual é a dose máxima de memantina?
A dose máxima diária é de 20 mg, atingida a partir da quarta semana, depois de aumentar 5 mg por semana a partir de 5 mg por dia.
Quem cuida do paciente precisa acompanhar a medicação?
Sim. A bula orienta que o tratamento só seja iniciado se houver um cuidador para monitorar regularmente a tomada do medicamento pelo paciente.
Posso partir o comprimido de memantina?
Sim, o comprimido pode ser partido, e o início do tratamento usa meio comprimido na primeira semana. Ele não deve ser mastigado.
A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar os sintomas e orientar o tratamento com segurança.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter estritamente informativo. A TelemedSim não possui vínculo ou relação comercial com indústrias farmacêuticas. Converse sempre com seu médico para receber o tratamento adequado.
