TDAH em mulheres: sinais, diagnóstico tardio e tratamento
TDAH em mulheres: sinais, diagnóstico tardio e tratamento
O TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) em mulheres costuma ser menos visível do que nos homens: muitas têm sobretudo desatenção, desorganização e esquecimento, em vez de agitação, e por isso passam anos sem diagnóstico ou são tratadas apenas por ansiedade e depressão. O diagnóstico tardio é comum, mas o TDAH tem tratamento em qualquer idade, com medicação e orientação para organização e manejo do tempo. A avaliação deve ser feita por um profissional de saúde.
Por que o TDAH em mulheres demora a ser diagnosticado?
A psiquiatra Katia Beatriz Correia e Silva, do conselho científico da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), explica que a maior parte da literatura sobre TDAH foi baseada em meninos. As escalas de avaliação costumam enfatizar hiperatividade, impulsividade e comportamento desafiador, de modo que só as meninas parecidas com os meninos chamam atenção para encaminhamento. A autora chama de "enganosa" a proporção tradicional de 4 meninos para 1 menina e afirma que pesquisas atuais indicam uma proporção mais próxima de 1 para 1.
O blog Focus TDAH, da UFRGS, acrescenta que os critérios tradicionais foram criados a partir de meninos e homens e que meninas costumam ter menos hiperatividade, o que dificulta a identificação do quadro. Como resultado, muitas chegam à vida adulta sem diagnóstico.
Como o TDAH aparece em meninas e mulheres?
Segundo a ABDA, na apresentação predominantemente desatenta, as meninas são descritas como sonhadoras e tímidas, parecem estar ouvindo, mas a mente está longe. Podem ficar ansiosas com a escola, esquecer ou desorganizar tarefas, entregar trabalhos atrasados, trabalhar devagar e se sentir sobrecarregadas, e algumas são vistas como menos inteligentes. Na apresentação com hiperatividade, a agitação aparece mais na fala e na ação do que em desafio, com instabilidade emocional e mudanças frequentes de humor. Muitas tentam esconder a desorganização e o esquecimento.
O blog da UFRGS resume que mulheres com TDAH tendem a ser menos hiperativas e impulsivas, mas mais desorganizadas, dispersas, esquecidas e introvertidas.
Sinais comuns em adultas
Dificuldade de manter foco em tarefas longas ou pouco interessantes
Esquecer compromissos, prazos, onde guardou objetos e contas a pagar
Desorganização em casa, no trabalho e nos horários
Procrastinação e dificuldade de começar e terminar tarefas
Sensação constante de sobrecarga e de estar "correndo atrás"
Mudanças de humor e irritabilidade
Esforço grande para parecer organizada, com cansaço e culpa
Sentir que "poderia render mais", sem entender o motivo
Vale conhecer também os sinais de TDAH em adultos, que se aplicam a mulheres e a homens.
Quando os sintomas aparecem tarde
A ABDA observa que um QI alto pode adiar o aparecimento dos problemas escolares, e que algumas meninas avançam pelo ensino médio ou até pela faculdade antes de as dificuldades ficarem evidentes. A disfunção executiva, ou seja, a dificuldade de planejar, organizar e priorizar, fica mais visível quando as exigências acadêmicas e sociais aumentam. A autora alerta que as meninas que chegam à vida adulta sem diagnóstico podem ter perdas maiores.
Condições que se confundem ou aparecem junto
Segundo a ABDA, ansiedade e depressão são as comorbidades mais frequentes em meninas e mulheres com TDAH. O blog da UFRGS aponta ainda risco de baixa autoestima crônica, desempenho abaixo do potencial, ansiedade e depressão nos casos sem tratamento. Por isso, é comum que a mulher receba primeiro um diagnóstico de ansiedade ou depressão e que o TDAH passe despercebido. Para entender esse cruzamento, veja o guia sobre sintomas de ansiedade.
Hormônios e TDAH
As mulheres passam por flutuações mensais de estrogênio, progesterona e testosterona, e há quem relate piora da concentração em fases do ciclo. O blog da UFRGS, porém, afirma que não há evidências suficientes de que os hormônios estejam ligados ao TDAH, em parte pela falta de estudos, embora pesquisas emergentes sugiram que hormônios sexuais possam afetar a função executiva. Uma sugestão citada é registrar o ciclo menstrual e os sintomas para levar ao médico. Se os sintomas de humor se concentram antes da menstruação, vale conversar com o profissional sobre a possibilidade de TDPM, o transtorno disfórico pré-menstrual.
Diagnóstico
O diagnóstico do TDAH é clínico. Segundo o Manual MSD, baseia-se em avaliação médica, do desenvolvimento, escolar e psicológica abrangente, seguindo os critérios do DSM-5-TR, e inclui checar sintomas desde a infância. Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme o TDAH. Para entender como o CID é usado, veja o artigo sobre o CID F90.0.
Tratamento
Segundo o Manual MSD, adultos podem se beneficiar dos mesmos tipos de medicamentos estimulantes usados em crianças, além de aconselhamento para melhorar o manejo do tempo e outras habilidades de enfrentamento. Há também opções não estimulantes, como a atomoxetina. A escolha do medicamento é do médico, que avalia riscos, comorbidades, uso de outros remédios e o desejo de engravidar, e nenhum deve ser usado sem prescrição.
Além da medicação, ajudam estratégias práticas de organização, rotina, lembretes e, quando há ansiedade ou depressão, tratamento específico para elas.
Quando buscar avaliação
Procure um psiquiatra quando a desatenção, a desorganização e o esquecimento atrapalham trabalho, estudos ou relações há muito tempo, quando você se sente sempre sobrecarregada ou culpada, ou quando tratamentos para ansiedade e depressão não resolveram tudo. Se você se identifica, a TelemedSim tem uma página sobre avaliação de TDAH e TEA.
Perguntas frequentes
Mulher pode ter TDAH?
Sim. O TDAH afeta mulheres e homens. A ABDA afirma que pesquisas atuais apontam proporção mais próxima de 1 para 1, e que o menor número de diagnósticos em mulheres se deve em grande parte ao subdiagnóstico.
Por que o TDAH em mulheres é descoberto tarde?
Porque os sintomas costumam ser mais de desatenção do que de agitação, o que chama menos atenção, e porque as escalas e a literatura foram construídas com base em meninos. Muitas também escondem as dificuldades, e o quadro é confundido com ansiedade ou depressão.
TDAH em mulheres piora com hormônios?
Há quem perceba piora em fases do ciclo, mas, segundo a literatura citada, não há evidência suficiente para afirmar relação direta. Registrar o ciclo e os sintomas ajuda o médico a avaliar.
TDAH e ansiedade podem ocorrer juntos?
Sim. Ansiedade e depressão são as comorbidades mais frequentes em mulheres com TDAH, segundo a ABDA, e é importante tratar as duas condições.
A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar seus sintomas e indicar o próximo passo.
Falar com um psiquiatra da TelemedSim
Fontes
ABDA: TDAH em meninas e mulheres, por Katia Beatriz Correia e Silva (dezembro de 2024)
Manual MSD (versão profissional): Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
