Transtorno explosivo intermitente: sinais e tratamento
O que é o transtorno explosivo intermitente
Transtorno explosivo intermitente (TEI) é um transtorno do controle dos impulsos em que a pessoa tem explosões repetidas de agressividade, verbal ou física, muito desproporcionais ao que as provocou, e depois sente arrependimento. Não é apenas "ter o pavio curto": o diagnóstico exige explosões frequentes, impulsivas, sem objetivo planejado e com prejuízo na vida. No CID-10, o transtorno explosivo intermitente está listado em F63.8. Tem tratamento, principalmente com terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, medicação.
Como são as explosões
Segundo uma revisão publicada na Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria (2015), as explosões podem ser físicas ou verbais, incluindo agressão, destruição de objetos e ameaças. Elas têm início rápido, duram em geral menos de 30 minutos e quase sempre sem aviso prévio. As pessoas muitas vezes não conseguem explicar o motivo do comportamento: a revisão cita relatos como "porque um lápis caía... por qualquer coisa... por nada".
Critérios para diagnóstico
Falha recorrente em controlar impulsos agressivos, com explosões desproporcionais ao que as provocou;
Explosões verbais ou físicas sem dano, pelo menos duas vezes por semana, por três meses; ou, quando há destruição de propriedade ou lesão em alguém, três episódios em um ano;
Ataques impulsivos, e não planejados para algum objetivo;
Não serem melhor explicados por outro transtorno mental;
Sofrimento e prejuízo no trabalho, nas relações ou na vida legal.
O diagnóstico não é dado a pessoas com menos de 6 anos, nem entre 6 e 18 anos quando o comportamento se encaixa em um transtorno de ajustamento.
Quão comum é
A revisão cita estudos com números variados: em uma amostra de 9.282 norte-americanos adultos, 7,3% preencheram critérios ao longo da vida e 3,9% nos últimos 12 meses; segundo o DSM-5, a prevalência em um ano nos Estados Unidos foi de 2,7%. É mais frequente em jovens abaixo de 40 anos e em homens. Os dados são de outros países, e a própria revisão ressalta que ainda faltam estudos para dimensionar o transtorno com precisão, além de poucos diagnosticados procurarem tratamento, o que mascara a real frequência.
O que pode estar por trás da raiva
O TEI é considerado, em parte, um diagnóstico de exclusão: só se faz depois de afastar outras causas das explosões. Isso inclui outros transtornos mentais, uso de álcool e drogas, e condições neurológicas. A revisão alerta para crianças com crises de fúria que são avaliadas para epilepsia ou autismo, e para a coexistência com condições como o transtorno de conduta, o TDAH e o transtorno borderline. Nas personalidades borderline e antissocial, a revisão informa que o grau de agressividade é menor ou serve a um objetivo, diferente do TEI.
Outros fatores citados: transtornos de humor, ansiedade e alimentares são mais frequentes nas pessoas com transtornos do controle dos impulsos, e a exposição à violência na infância é um preditor importante de comportamento violento.
Quando buscar ajuda
Procure avaliação quando as explosões de raiva se repetem, causam medo em quem convive com você, levam a brigas, danos materiais ou problemas legais, ou quando você se arrepende e sente que não consegue se controlar. A revisão destaca que o que leva muita gente a buscar ajuda são as consequências sérias do transtorno, como conflitos familiares e no trabalho.
Se houver risco imediato de agressão a alguém, ligue para a polícia (190) ou, em emergência médica, para o SAMU (192). Em caso de pensamentos de se machucar, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188.
Tratamento
Segundo a revisão, as terapias orientadas ao insight mostram menos resposta do que a terapia cognitivo-comportamental (TCC), principalmente as que enfatizam o controle da raiva com técnicas de relaxamento, treino de habilidades sociais e enfrentamento de problemas. Não há protocolo padronizado, e a TCC costuma incluir resolução de problemas, reestruturação cognitiva e treino para lidar com os gatilhos. A relação de confiança com o terapeuta importa: abordagens muito confrontadoras têm mais abandono.
Sobre medicamentos, a revisão informa que não há estudo que defina com rigor uma terapia medicamentosa específica para o TEI. As classes que mostraram boa eficácia incluem antiepilépticos, estabilizadores do humor, antipsicóticos, betabloqueadores e inibidores da recaptação de serotonina, como a fluoxetina, que parece funcionar melhor em associação com a terapia. A escolha, a dose e a combinação dependem do caso e são do médico, e nenhum deles deve ser usado sem prescrição.
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Perguntas frequentes
Transtorno explosivo intermitente é só raiva?
Não. É um padrão de explosões impulsivas e desproporcionais, que se repetem e causam sofrimento e prejuízo. A raiva comum é proporcional e controlável.
Qual é o CID do transtorno explosivo intermitente?
No CID-10, o DATASUS lista o transtorno explosivo intermitente em F63.8, outros transtornos dos hábitos e dos impulsos.
Pessoa explosiva tem tratamento?
Sim. A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem mais apoiada pela revisão citada, e alguns casos podem se beneficiar de medicação, conforme avaliação médica.
Criança com explosões de raiva tem TEI?
Não necessariamente. O diagnóstico não é dado a menores de 6 anos, e crises de fúria na infância precisam de avaliação para outras causas, como TDAH, autismo e epilepsia.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica individual. A TelemedSim é uma plataforma de telemedicina especializada em psiquiatria e psicologia online, com nota 4,9 no Google.
