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Dissulfiram (Antietanol): para que serve e por que sumiu

Equipe TelemedSim•02 de novembro de 2026
Dissulfiram (Antietanol): para que serve e por que sumiu

O que aconteceu com o Antietanol

O dissulfiram, vendido no Brasil como Antietanol, é um medicamento usado como coadjuvante no tratamento do alcoolismo crônico: ele provoca uma reação muito desagradável, e às vezes perigosa, quando a pessoa bebe. A Sanofi comunicou em 2019 a descontinuação definitiva da fabricação do Antietanol, informando que existem alternativas terapêuticas e orientando os pacientes a procurar o médico.

Segundo o comunicado oficial da Sanofi, a empresa protocolou na Anvisa, em 14 de outubro de 2019, a descontinuação definitiva da fabricação do Antietanol (dissulfiram), e tornou o anúncio público em 26 de novembro de 2019. O texto trata de descontinuação de fabricação, e não de recolhimento do produto. O comunicado não informa os motivos, afirma que "existem alternativas terapêuticas disponíveis" sem citar nenhuma, e recomenda que os pacientes procurem o médico.

Circulam relatos sobre importação ou manipulação do dissulfiram, mas não encontrei fonte oficial sobre isso. O remédio exige exames e acompanhamento, e a reação com álcool pode ser grave, então comprar de vendedor não regulamentado na internet e usar por conta própria é perigoso. Qualquer decisão sobre isso deve passar por um médico.

Para que servia o dissulfiram

A bula do Antietanol indicava o medicamento como coadjuvante destinado ao tratamento do alcoolismo crônico. A própria bula afirma que o dissulfiram deve ser uma ferramenta de tratamento adjuvante, e não um único agente terapêutico. Segundo os estudos citados, ele pode reduzir a quantidade de álcool consumido e o número de dias de consumo em pacientes com alcoolismo crônico que seguem o tratamento, e a adesão aumenta com supervisão e aconselhamento.

Como o dissulfiram agia

O dissulfiram inibe uma enzima do fígado, a aldeído-desidrogenase, que ajuda o corpo a eliminar o acetaldeído, um produto do álcool. Com a enzima bloqueada, o acetaldeído se acumula depois de qualquer quantidade de álcool, e isso causa a chamada reação dissulfiram-álcool, que a bula descreve com:

  • Calor e vermelhidão intensa no rosto, que pode se estender ao pescoço e ao tronco

  • Latejamento, dor de cabeça, náusea e vômito

  • Fraqueza, dor no peito e falta de ar

  • Batimento acelerado, palpitações e queda de pressão

  • Confusão mental e, eventualmente, choque

Reações graves podem incluir depressão respiratória, colapso cardiovascular, arritmias, infarto, insuficiência cardíaca aguda, perda de consciência, convulsão e morte. O efeito máximo ocorre 12 horas depois da dose e pode persistir por 10 a 14 dias depois do fim do tratamento. Mesmo pequenas quantidades de álcool bastam, inclusive em molhos, temperos, vinagres e em loções pós-barba e produtos de higiene que contenham álcool.

Por que exigia tanto cuidado

A bula determinava que o remédio só deve ser usado com o prévio conhecimento do paciente e com orientação médica adequada. O médico precisava explicar a reação, e a pessoa tinha que entender que o álcool, mesmo escondido em alimentos ou cosméticos, desencadeia o efeito. Dar o remédio a alguém sem que ele saiba é perigoso, justamente porque a reação pode ser grave.

A bula contraindicava o uso, entre outras situações, em quem tomou álcool nas últimas 24 horas, em doença grave do coração, em psicoses, diabetes, epilepsia, cirrose ou insuficiência do fígado, durante a gravidez e a amamentação.

Risco para o fígado

A bula alertava para toxicidade grave no fígado, que em alguns casos levou a transplante ou morte. Pedia exames de função do fígado antes de começar e pelo menos uma vez por mês nos 3 primeiros meses, e a suspensão definitiva se as transaminases chegassem a 3 vezes o limite normal. Sinais de alerta incluem fraqueza, perda de apetite, náusea, vômito, dor abdominal e pele ou olhos amarelados.

Interações importantes

Entre as interações descritas na bula estavam:

  • Metronidazol e outros nitroimidazóis: podem causar delírio agudo e confusão mental

  • Fenitoína: aumento rápido do nível no sangue e risco de intoxicação

  • Varfarina: risco de sangramento

  • Teofilina: o dissulfiram diminui o metabolismo dela

  • Benzodiazepínicos: o efeito sedativo pode aumentar

E agora, quais são as alternativas

O comunicado da Sanofi não cita alternativas, e a escolha depende de cada caso, avaliada por um médico. O tratamento do alcoolismo costuma combinar acompanhamento médico, psicoterapia e apoio social, com ou sem medicamentos, e no SUS o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) é a referência para acolhimento. Para conhecer outro medicamento que o médico pode avaliar, veja o artigo da TelemedSim sobre naltrexona: para que serve, dose e efeitos colaterais, e para entender o quadro como um todo, o artigo sobre alcoolismo: sintomas, abstinência e tratamento.

Quem bebe muito e há muito tempo não deve parar de forma brusca por conta própria, porque a abstinência pode ser grave. O acompanhamento médico é importante desde o início.

Sinais de alerta

Se alguém que usa dissulfiram, por qualquer meio, tomar álcool e tiver dor no peito, falta de ar, desmaio, confusão intensa, vômitos fortes ou convulsão, procure atendimento de emergência (SAMU, 192) imediatamente.

Como conseguir avaliação com psiquiatra online

A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online para avaliar o uso de álcool, conversar sem julgamento e orientar o tratamento mais adequado, incluindo encaminhamento a serviços presenciais quando necessário. Buscar ajuda não exige "chegar ao fundo do poço": quanto antes o tratamento começa, mais fácil tende a ser.

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Perguntas frequentes

O Antietanol ainda é vendido no Brasil?

A Sanofi comunicou a descontinuação definitiva da fabricação em 2019. Não consegui confirmar na base da Anvisa se algum produto com dissulfiram está registrado hoje, então a consulta direta ao portal da Anvisa e a conversa com um médico são o caminho para saber a situação atual.

Por quanto tempo o efeito do dissulfiram dura depois de parar?

A bula informa que o efeito pode persistir por 10 a 14 dias depois do fim do tratamento, e que os alertas sobre álcool continuam valendo nesse período.

Posso dar dissulfiram escondido para alguém parar de beber?

Não. A bula determina que o medicamento só deve ser usado com o prévio conhecimento do paciente, e a reação com álcool pode ser grave, com risco de morte.

Posso beber só um pouco enquanto uso dissulfiram?

Não. Pequenas quantidades de álcool já causam a reação, inclusive o álcool presente em molhos, temperos, vinagres e produtos de higiene.

Existe alternativa ao dissulfiram?

A Sanofi informa que existem alternativas terapêuticas, sem citar quais. A escolha depende de cada pessoa e deve ser feita com um médico, que também avalia as outras formas de acompanhamento.

A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para conversar sobre o uso de álcool e entender os próximos passos.

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Fontes

Este conteúdo tem caráter estritamente informativo. A TelemedSim não possui vínculo ou relação comercial com indústrias farmacêuticas. Converse sempre com seu médico para receber o tratamento adequado.

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