Rivastigmina (Exelon): para que serve, dose e riscos
O que é a rivastigmina?
A rivastigmina, vendida como Exelon, é um medicamento indicado para a demência leve a moderadamente grave do tipo Alzheimer e para a demência leve a moderadamente grave associada à doença de Parkinson. Ela vem em cápsulas e em adesivo para colar na pele, e existe também em solução oral. Os efeitos mais comuns são náusea e vômito, principalmente quando a dose aumenta, e o maior risco do adesivo é o erro de uso, como colar mais de um ao mesmo tempo, que pode ser grave.
Para que serve a rivastigmina?
Segundo a bula, a rivastigmina é indicada para o tratamento de pacientes com demência leve a moderadamente grave do tipo Alzheimer e de pacientes com demência leve a moderadamente grave associada à doença de Parkinson. Na bula do paciente, a indicação aparece como o tratamento de problemas de memória e demência em quem tem doença de Alzheimer ou de Parkinson.
Para entender como a demência é classificada, veja o artigo da TelemedSim sobre o CID F03, a demência não especificada, e sobre o transtorno cognitivo leve (CID F06.7).
Como a rivastigmina age?
Ela pertence à classe dos inibidores da colinesterase. A rivastigmina aumenta a quantidade de acetilcolina no cérebro, substância necessária para o bom funcionamento cognitivo, como aprendizado, memória, compreensão e orientação. A bula descreve que, agindo assim, o remédio ajuda a diminuir o declínio mental que ocorre na doença de Alzheimer e na doença de Parkinson. Ele alivia sintomas, mas não cura a doença.
Dose das cápsulas
A bula do paciente informa que a dose é definida pelo médico, começando baixa e aumentando aos poucos conforme a resposta. As cápsulas têm 1,5 mg, 3 mg, 4,5 mg e 6 mg, e a dose máxima permitida é de 6 mg duas vezes ao dia.
Quando tomar: duas vezes ao dia, uma no café da manhã e outra no jantar, sempre no mesmo horário.
Como tomar: engolir a cápsula inteira com líquido, sem abrir nem mastigar.
Dose esquecida: aguardar a próxima dose no horário usual, sem tomar em dobro.
Mais de 3 dias sem tomar: não retomar sem antes conversar com o médico.
Acompanhamento: o médico avalia os benefícios periodicamente e monitora o peso.
Dose do adesivo (Exelon Patch)
Adesivo | Dose de rivastigmina | Liberação em 24 horas |
|---|---|---|
Patch 5 | 4,6 mg | |
Patch 10 | 9,5 mg | |
Patch 15 | 13,3 mg |
O tratamento começa com o Patch 5, um adesivo por dia. Depois de no mínimo 4 semanas, se for bem tolerado, a dose sobe para o Patch 10, que é a dose efetiva recomendada e de manutenção. O Patch 15 só deve ser considerado com boa tolerância e depois de pelo menos 4 semanas em cada nível. Se o tratamento ficar interrompido por mais de 3 dias, ele deve ser reiniciado com o Patch 5.
Quem usa cápsulas ou solução oral pode trocar para o adesivo: com menos de 6 mg por dia, começa-se pelo Patch 5, e com 6 a 12 mg por dia, pelo Patch 10, aplicando o primeiro adesivo um dia depois da última dose oral. Essas são as doses de referência: a dose certa é sempre definida pelo médico.
Como usar o adesivo sem erro?
O maior risco do adesivo é o erro de uso. A bula informa que erros de dosagem causaram reações graves, algumas com internação e, raramente, óbito, principalmente por não remover o adesivo antigo ou por usar vários ao mesmo tempo. Por isso, cuidadores devem conferir sempre que há um único adesivo no corpo. As orientações da bula são:
Use somente um adesivo por vez e remova o do dia anterior antes de colar o novo.
Troque a cada 24 horas, em pele limpa, seca, sem pelos e íntegra (costas, braço ou peito), sem atrito de roupa apertada.
Não cole em pele vermelha, irritada ou cortada, e não repita exatamente o mesmo ponto em 14 dias.
Pressione firme com a palma da mão por pelo menos 30 segundos.
Se cair, cole um novo pelo resto do dia e volte ao horário habitual no dia seguinte.
Pode tomar banho, mas evite calor externo por muito tempo, como sol excessivo e sauna.
Não corte o adesivo. Depois de retirar, dobre ao meio, guarde no sachê original, descarte longe de crianças e lave as mãos.
Efeitos colaterais
Segundo a bula do paciente das cápsulas, são muito comuns enjoo, vômito, diarreia, tontura e perda de apetite. Entre os comuns estão agitação, confusão, pesadelos, ansiedade, dor de cabeça, sonolência, dor de estômago, fraqueza, cansaço, suor excessivo, perda de peso e tremor. Esses efeitos tendem a ser mais frequentes no início do tratamento e a cada aumento de dose, e vão diminuindo aos poucos.
Com o adesivo, as reações mais relatadas também são gastrointestinais, mas a bula informa que a frequência geral de reações foi menor com o Patch 10 do que com as cápsulas. As reações no local de aplicação, como vermelhidão, coceira e inchaço, são comuns e em geral leves ou moderadas. Se a reação se espalhar além do tamanho do adesivo, ficar mais intensa ou não melhorar em 48 horas depois da retirada, pode ser dermatite de contato alérgica, e o tratamento deve ser interrompido.
Na demência da doença de Parkinson
Em quem tem demência associada à doença de Parkinson, a bula do paciente informa que tremores e quedas acidentais são mais frequentes (as quedas, muito comuns), assim como a piora dos sintomas parkinsonianos, o batimento cardíaco lento e a salivação excessiva. Por outro lado, perda de apetite, tontura e diarreia são menos frequentes.
Cuidados
Vômito e diarreia prolongados podem causar desidratação grave.
Peso: o peso deve ser acompanhado, e quem pesa menos de 50 kg pode ter mais efeitos adversos.
Coração: cuidado com bradicardia, bloqueios de condução e prolongamento do intervalo QT.
Estômago, convulsões, obstrução urinária, asma e doença pulmonar obstrutiva: o remédio pode induzir ou piorar essas condições.
Fígado: quem tem disfunção hepática relevante pode ter mais reações adversas.
Anestesia: o anestesista deve ser avisado, pois o remédio pode exacerbar o efeito de alguns relaxantes musculares.
Gravidez e amamentação: categoria de risco B, uso só se o benefício superar o risco, e sem amamentar durante o tratamento.
Interações
Outros medicamentos de efeito semelhante e anticolinérgicos (usados para cólica ou enjoo de viagem) não devem ser usados junto.
Metoclopramida: uso junto não recomendado, pelo risco de rigidez e tremores.
Betabloqueadores (como o atenolol): podem causar bradicardia e desmaio.
Medicamentos que prolongam o intervalo QT, como citalopram, amiodarona, moxifloxacino e eritromicina, exigem cautela.
Quem não deve usar?
A rivastigmina é contraindicada em caso de alergia ao medicamento, a outros derivados do carbamato ou a algum componente da fórmula. O adesivo também não deve ser usado por quem já teve dermatite alérgica de contato com ele. O uso em crianças e adolescentes não é recomendado.
Sinais de alerta
Procure atendimento de emergência (SAMU, 192) se houver desmaio ou pulso muito lento, vômitos ou diarreia que não passam, sangue no vômito ou nas fezes, dor forte na parte de cima do abdome, convulsão, pele ou olhos amarelados, ou salivação intensa com suor, fraqueza e dificuldade para respirar. Se mais de um adesivo for colado por engano, a bula orienta remover todos imediatamente, não usar nenhum nas próximas 24 horas e procurar orientação médica.
Como conseguir avaliação com psiquiatra online
A rivastigmina é vendida sob prescrição. A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online para avaliar sintomas de perda de memória e de função, discutir o diagnóstico e acompanhar o tratamento, com a participação de familiares e cuidadores. Para conhecer outros medicamentos usados na demência, veja os artigos sobre donepezila e memantina.
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Perguntas frequentes
Rivastigmina e Exelon são a mesma coisa?
Sim. Rivastigmina é o princípio ativo, e Exelon é o nome comercial no Brasil, em cápsulas, solução oral e adesivo (Exelon Patch).
Qual é melhor, a cápsula ou o adesivo?
A bula informa que a frequência geral de reações adversas foi menor com o Patch 10 do que com as cápsulas. A escolha da forma é do médico e depende de cada pessoa, inclusive da capacidade do cuidador de usar o adesivo corretamente.
Posso usar mais de um adesivo para aumentar o efeito?
Não. Deve-se usar somente um adesivo por vez, e o do dia anterior precisa ser retirado antes. O uso de vários adesivos causou casos graves de superdose.
A rivastigmina serve para a demência do Parkinson?
Sim. A bula indica o tratamento da demência leve a moderadamente grave associada à doença de Parkinson. Nesses pacientes, tremores e quedas podem ser mais frequentes, e o acompanhamento deve ser próximo.
Posso parar a rivastigmina por conta própria?
Não. A bula orienta não parar nem mudar a dose sem o conhecimento do médico. Se ficar mais de 3 dias sem tomar, não retome a dose sem conversar com ele, porque a retomada pode exigir recomeçar com uma dose menor.
A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar os sintomas e orientar o tratamento com segurança.
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Fontes
Este conteúdo tem caráter estritamente informativo. A TelemedSim não possui vínculo ou relação comercial com indústrias farmacêuticas. Converse sempre com seu médico para receber o tratamento adequado.
