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Lurasidona (Latuda): para que serve, dose e riscos

Equipe TelemedSim•03 de novembro de 2026
Lurasidona (Latuda): para que serve, dose e riscos

O que é a lurasidona?

A lurasidona, vendida como Latuda, é um antipsicótico atípico indicado para a esquizofrenia e para os episódios depressivos do transtorno bipolar I. Ela precisa ser tomada com alimentos, com pelo menos 350 calorias, e não exige aumento gradual da dose no início. A bula contraindica o uso junto com remédios que alteram de forma forte a enzima CYP3A4, como cetoconazol e rifampicina, e não aprova o uso em idosos com psicose relacionada à demência.

Para que serve a lurasidona

Segundo a bula, as indicações são:

  • Depressão bipolar (episódios depressivos do transtorno bipolar I): como único medicamento (monoterapia) em adultos e em pacientes acima de 13 anos, e como terapia adjuvante, junto com lítio ou valproato, em adultos.

  • Esquizofrenia: em adultos e em adolescentes acima de 15 anos.

A bula informa que a eficácia no tratamento da depressão bipolar por mais de 6 semanas não foi estabelecida em estudos controlados, e que o médico que mantém o remédio por mais tempo deve reavaliar periodicamente se ele continua útil. Para entender os diagnósticos, veja os artigos da TelemedSim sobre o transtorno afetivo bipolar (CID F31) e a esquizofrenia (CID F20).

Dose da bula

Situação

Dose inicial

Faixa eficaz

Máximo por dia

Esquizofrenia, adultos

40 mg

40 a 160 mg

160 mg

Esquizofrenia, 15 a 17 anos

40 mg

40 a 80 mg

80 mg

Depressão bipolar, adultos

20 mg

20 a 120 mg

Conforme a bula, dentro da faixa eficaz

Depressão bipolar, 13 a 17 anos

20 mg (monoterapia)

20 a 80 mg

80 mg

Em todos os casos, o remédio é tomado uma vez ao dia, com alimentos (no mínimo 350 calorias), e a bula informa que a titulação inicial da dose não é necessária. O médico deve usar a menor dose eficaz e aumentar com base na resposta. Em adolescentes, a dose pode ser aumentada depois de duas semanas. O comprimido não deve ser partido, aberto ou mastigado.

Outros ajustes da bula:

  • Doença dos rins moderada ou grave: dose inicial de 20 mg e máximo de 80 mg por dia.

  • Doença do fígado moderada: dose inicial de 20 mg e máximo de 80 mg por dia. Na doença grave, o remédio não deve ser dado a menos que o benefício supere os riscos.

  • Troca de outro antipsicótico: a bula recomenda iniciar com 40 mg e fazer uma redução gradual cruzada do remédio anterior.

Essas são as doses de referência: a dose certa é sempre definida pelo psiquiatra.

Efeitos colaterais

Nos estudos de curto prazo em adultos com esquizofrenia, os eventos mais comuns, com pelo menos o dobro da frequência do placebo, foram sonolência, acatisia (inquietação que obriga a pessoa a se mexer), náusea e parkinsonismo (tremor, rigidez e lentidão de movimentos). Em números da bula:

Efeito

Lurasidona

Placebo

Sonolência

14%

6%

Acatisia

12%

3%

Náusea

9%

5%

Parkinsonismo

9%

5%

Vômitos

7%

5%

Distonia (contrações musculares involuntárias)

4%

1%

Também foram frequentes insônia, agitação, tontura e dispepsia. A bula pede cuidado ao dirigir ou operar máquinas até se saber como o remédio afeta a pessoa.

Peso, açúcar e prolactina

A bula recomenda monitorar o peso, a glicemia e as gorduras no sangue, como em qualquer antipsicótico atípico. Nos estudos de curto prazo em esquizofrenia em adultos, o ganho de peso médio com a lurasidona foi de 0,43 kg, contra uma perda de 0,02 kg com placebo. A bula cita, em outros estudos específicos de 6 semanas, ganhos médios de 4,15 kg com a olanzapina e de 2,09 kg com a quetiapina de liberação prolongada. São estudos diferentes, e não uma comparação direta entre os remédios, mas mostram que o impacto no peso nessas condições foi menor com a lurasidona. Para entender o outro lado, veja o artigo sobre os riscos metabólicos do uso prolongado da quetiapina.

Como outros remédios que bloqueiam receptores de dopamina, a lurasidona aumenta a prolactina. Hiperglicemia, em alguns casos extrema, foi relatada com antipsicóticos atípicos, e quem tem diabetes deve ser acompanhado de perto.

Alertas de segurança

  • Idosos com psicose relacionada à demência: antipsicóticos desse tipo aumentaram a mortalidade em estudos, e o Latuda não é aprovado para esse uso.

  • Síndrome neuroléptica maligna: complexo de sintomas potencialmente fatal, com febre, rigidez muscular, confusão e instabilidade da pressão.

  • Discinesia tardia: movimentos involuntários que podem ser irreversíveis.

  • Leucopenia, neutropenia e agranulocitose: quem tem leucócitos baixos ou já teve queda de leucócitos por remédio deve fazer hemogramas frequentes nos primeiros meses.

  • Hipotensão ortostática e desmaio: cuidado em quem tem doença do coração, desidratação ou usa remédios para pressão.

  • Convulsões: cuidado em quem já teve ou tem condições que baixam o limiar, como a demência de Alzheimer.

  • Pensamentos suicidas: a supervisão deve ser rigorosa em pacientes de alto risco, e a prescrição deve ter a menor quantidade de comprimidos possível para reduzir o risco de superdose.

Interações importantes

A lurasidona é metabolizada principalmente pela enzima CYP3A4, então remédios que atuam nela mudam muito o nível do Latuda:

  • Contraindicados, por aumentarem muito o nível: inibidores fortes, como cetoconazol, itraconazol, claritromicina, ritonavir, voriconazol e nefazodona. Com cetoconazol, a exposição à lurasidona aumentou de 7 a 9 vezes.

  • Contraindicados, por reduzirem muito o nível: indutores fortes, como rifampicina, carbamazepina, fenobarbital, fenitoína e erva-de-são-joão. Com rifampicina, a exposição caiu 6 vezes.

  • Cautela: inibidores moderados (diltiazem, eritromicina, fluconazol, verapamil) podem aumentar o nível, e indutores fracos ou moderados (como o modafinil) podem reduzi-lo, exigindo ajuste de dose.

  • Lítio e valproato: a bula informa que não é necessário ajustar a dose da lurasidona.

Para conhecer esses medicamentos, veja os artigos sobre lítio, valproato e carbamazepina.

Gravidez e amamentação

A lurasidona está na categoria B de risco na gravidez e só deve ser usada se o benefício justificar o risco ao feto. Recém-nascidos expostos a antipsicóticos no terceiro trimestre correm risco de sintomas extrapiramidais e de abstinência depois do parto. A amamentação deve ser considerada apenas se o benefício justificar o risco para a criança, e a paciente deve avisar o médico se engravidar ou pretender engravidar.

Quem não deve usar

A lurasidona é contraindicada em caso de hipersensibilidade ao medicamento ou a algum componente, e junto com inibidores ou indutores fortes da CYP3A4. Não é aprovada para idosos com psicose relacionada à demência, e a segurança em crianças e adolescentes fora das indicações da bula não foi estabelecida.

Sinais de alerta

Procure atendimento de emergência (SAMU, 192) se houver febre alta com rigidez muscular e confusão, desmaio, convulsão, ou febre e sinais de infecção em quem tem neutrófilos baixos. Em caso de pensamentos de se machucar, o CVV (188) atende 24 horas. A bula informa que não existe antídoto específico para superdose.

Como conseguir avaliação com psiquiatra online

A lurasidona é vendida sob prescrição. A TelemedSim oferece consulta psiquiátrica online para avaliar o quadro, discutir as opções de tratamento da esquizofrenia e do transtorno bipolar e acompanhar quem já usa antipsicótico, incluindo o monitoramento de peso e de exames. Para comparar com outras opções, veja o artigo sobre aripiprazol.

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Perguntas frequentes

Latuda e lurasidona são a mesma coisa?

Sim. Lurasidona é o princípio ativo, e Latuda é o nome comercial no Brasil.

Por que o Latuda precisa ser tomado com comida?

A bula determina que ele seja administrado com alimentos de no mínimo 350 calorias. A refeição faz parte do uso correto do remédio, e tomá-lo em jejum não é o esquema previsto.

O Latuda serve para qualquer depressão?

Não. A indicação em bula é para os episódios depressivos associados ao transtorno bipolar I, e não para outros tipos de depressão. A avaliação do diagnóstico é do psiquiatra.

Posso usar Latuda com lítio ou valproato?

Sim. A bula prevê o uso como terapia adjuvante com lítio ou valproato em adultos com depressão bipolar, e informa que não é preciso ajustar a dose da lurasidona nessa combinação.

Latuda engorda?

O ganho de peso foi pequeno nos estudos de curto prazo descritos na bula (média de 0,43 kg), mas todo antipsicótico atípico exige acompanhamento do peso. A resposta de cada pessoa pode variar.

A TelemedSim conecta você a um psiquiatra online para avaliar se a lurasidona é adequada para o seu caso.

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Fontes

Este conteúdo tem caráter estritamente informativo. A TelemedSim não possui vínculo ou relação comercial com indústrias farmacêuticas. Converse sempre com seu médico para receber o tratamento adequado.

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